O meu nome

“O meu nome é essa cicatriz
que insistes que sabes ler
só porque a fizeste.”

[My name is that scar
you insist you know how to read
just because you made it.
]

Gisela Casimiro (Giz)

As imagens

“As imagems poéticas têm, também elas, uma matéria.”

Gaston Bachelard (A água e os sonhos)

Aquilo de que ele mais gosta nela, para ser honesto, é do peito, em especial dos mamilos rígidos e castanhos, que saboreia devagar nas tardes cinzentas de Outono. Mas quando ela pergunta, sempre depois de ele dizer que a ama, de que mais gosta nela, ele responde invariavelmente: da tua personalidade. E ela sorri, agradecida.

*****

What he likes most about her, to be honest, is her breasts—especially her firm, brownish nipples, which he savours slowly on gray autumn afternoons. But when she asks, always after he tells her he loves her, what he likes most about her, he invariably replies: your personality. And she smiles, grateful.

Paulo Kellerman | Portable link

Serenidade

“Perco a consciência, mas não importa, encontro a maior serenidade na alucinação.”

Clarice Lispector (Perto do coração selvagem)

A(ero)NA(ve)S

Duas Anas numa aeronave improvisada a (des)pilotar a caminho de. Pausa e ponto de interrogação. Tocamo-nos no escuro e iluminamos arquipélagos. Fluida-Mente.

Esta é uma colaboração especial que nasceu de um exercício de escrita orgânico e fascinante entre mim e a Ana e de um lugar de curiosidade mútua.

A(ero)NA(ve)S

{~Texto zipado para desdobrar em imagens~}

e o que queres fazer?

Eros, erótico, está sempre presente na criação

O dedo (in)vísivel

que percorre a pele da palavra

e os poros da fotografia.

Captar o hálito da imagem

e fugir do hábito da palavra

para habitar a palavra

que faz montanhas parirem retratos

|| parir em retratos

o desejo que se vê

dentro da cabana do acento circunflexo

havia fios de trama || ou ele passa por baixo || ou ele passa por cima ||

dos fios de urdume ||

é o jacquard de entre_peles

que nos veste a timidez

e desloca inflexões

  – Passa-me um Marlboro. Ali atrás da persiana

(ecoo-me para tocar-te)

O arranha-céus de jacquard rasga o tecto da cabana

Delírio a céu aberto.

*****

[O texto foi escrito a quatro mãos com a Ana Sofia Elias | a foto é minha]

Loucura

Madness

Como quebrar a linearidade do tempo, como desafiar o destino, como enganar o futuro e torná-lo mesmo inesperado? Já alguma vez pensaste nisso?

***

How can one break the linearity of time, challenge fate, deceive the future, and make it truly unexpected? Have you ever thought about that?

Paulo Kellerman

Portable link

FOTOGRAFAR PALAVRAS # 5029

Parceria nova no FOTOGRAFAR PALAVRAS: Cristiana Ribeiro | Publicação # 5029

Dança, que o corpo descongela, o coração aquece e a alma reencontra-se.

Dance, and the body will unfreeze, the heart will warm up and the soul will find itself again.

Fotografar palavras, projeto do Paulo Kellerman e de todos nós. Uma casa onde cabem muitos afetos e encontros. E é assim desde 2016.

Sopros

Se fosse aguaceiro
Caía em ti como pena
Como cena de filme.
Como película
Que desvenda
Sopros no peito.
Leitos.

*

If I were a downpour
I’d fall on you like a feather
Like a scene from a movie.
Like a film
Unveiling
Breaths in the chest.
Reposes.

Poema| poem: Jorge VAz Dias