
Penetrar-te em olhares e sabores.
[o belo poema do Jorge VAz Dias]

Diálogo entre fotografia e literatura | a dialogue between photography and literature
Paulo Kellerman & Ana Gilbert

UM LUGAR DE PASSAGEM, projeto com Frankie Boy (2024), agora em formato digital.
uma câmera
um rolo de filme
dois fotógrafos
Frankie Boy fotografou Ana Gilbert
Ana Gilbert fotografou Frankie Boy
[edição bilíngue]
…
A PLACE OF PASSAGE, a project with Frankie Boy (2024), now in digital format.
a camera
a roll of film
two photographers
Frankie Boy photographed Ana Gilbert
Ana Gilbert photographed Frankie Boy
[bilingual edition]

com Jorge VAz Dias

Around us fear, descending
Darkness of fear above
And in my heart how deep unending
Ache of love
James Joyce (Poems and shorter writings)

Gosto de cruzar as fronteiras.
Olga Tokarczuk (Sobre os ossos dos mortos)

no espelho | de relance | a cor do sonho | de ontem
Paulo Leminski


“Escrever ficção é como emprestar meu corpo para mim mesma”.
Eliane Brum (Uma duas, 2018)

“Somos estrangeiros também, e principalmente, diante da nossa felicidade”.
Emanuele Coccia (Filosofia da casa, 2024)

Eu ouvi você
Me dizer que sim
Mas era silêncio o que se ouvia
Quando dei por mim
Agora
Logo agora
Justo agora
Adriana Calcanhotto (Justo agora)

Você não tem medo de mim
Você tem medo é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo é de você
Você tem medo é de querer
Me amar
Adriana Calcanhotto
[ouça aqui]

“Ter nascido significa isto: não ser puro, não ser si mesmo, ter em si alguma coisa que vem de outro lugar, alguma coisa de estranho que nos leva a nos tornarmos a cada vez estrangeiros a nós mesmos.”
Emanuele Coccia (Metamorfoses, 2022)

It is this body that holds all that I am.
An envelope that contains me,
Defines me,
Limits me.
And everything I am is born in it.
But is everything that is born in my body mine?
Universes of desires that arise and grow
And multiply,
Fleeting or perhaps eternal,
Powerful and immense in their power
Of disconcerting.
Do they belong to me?
Desires that are dreams
Without flesh
Or material density
Or geometric contour
Or palpability.
Perhaps dreams are a concrete reality,
As concrete as the most consistent
Of realities.
Concrete like a tree or a bridge or a clothesline or a fire
Or a body.m
But a reality lacking the senses.
Concrete,
But without dimension or volume.
Without physical outline or measurability,
Just intention and design.
Like when you say you want to give me a hug
Or a kiss,
But you do not really give me a hug
Or a kiss.
My body produces universes of desires,
Immense in their power
Of disconcerting.
But useless.
What good are dreams
If you cannot touch them?
in And when the questions are over? REIMAGINED
Paulo Kellerman (text) & Ana Gilbert (photo)

Nem Bestas Nem Santas, performance da companhia teatral Nem Marias Nem Manéis
O Manual compôs uma das onze instalações que fizeram parte da performance, que aconteceu no passado 19 de setembro, no m|i|mo. Além da leitura, o público foi convidado a participar, acrescentando suas próprias ideias sobre independência. Esta é uma de suas páginas.

Esta é a minha contribuição para a performance NEM BESTAS NEM SANTAS, com o tema da opressão do feminino e o patrimônio intemporal de feminilidade.
É a quarta produção NEM MARIAS NEM MANÉIS, uma companhia jovem que tem produzido trabalhos contundentes e poéticos que nos fazem sentir e questionar. E, principalmente, que nos irmanam numa experiência de coletividade.
Parabéns e muito obrigada.
A performance aconteceu ontem, 19 de setembro, no m|i|mo, em diálogo com a bela exposição do nosso projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS, em Leiria, Portugal, essa cidade que também é casa.
…..
“Olha as estrelas e pensa: são minhas testemunhas.
Pensa: estão a ver tudo o que sinto e faço.
Tal como viram tudo o que biliões de outras mulheres
sentiram e fizeram.
Desde a primeira mulher que viveu.
As estrelas são as mesmas. Aquelas que tu própria podes olhar enquanto pensas: são minhas testemunhas.”
…..
Texto: Paulo Kellerman
Encenação e Dramaturgia: Cátia Ribeiro
Interpretação: Andreia Mateus, Catarina Mamede, Cátia Ribeiro e Rita Rosa
Movimento coreográfico: Cátia Ribeiro e Rita Rosa
Ilustração ao vivo: Maraia
Música: Nelson Brites
Vídeo: Milady
Artes manuais: Cátia Ribeiro e Sandra Ribeiro
Círculo: Daniela Mateus, Dora Fonseca, Fátima Gonçalves e Mariana Lourenço
Fotografia: Ana Gilbert, Andreia Mateus, Anna Monica Rigon, Anna Papachristou, Carina Martinho Coelho, Carolina Geiger, Cristina Vicente, Elsa Arrais, Fabiana Fraga, Federica (Final Girl 7), Jelena Stankovic, Joana Neves, Julie Flam, Martha Takahashi, Nadir Social Lens, Sêmmada Arrais, Sílvia Bernardino, Teresa Santos e Vanda Cristina
Fotografia de Cena e produção: Cristina Vicente

excerto de carta de 18/09/1992, de Nise da Silveira a Marco Lucchesi (in Viagem a Florença, de Marco Lucchesi, 2025)

Thought of you as everything
I’ve had, but couldn’t keep
The Velvet Underground (Pale Blue Eyes)