
A luz entra pela fresta da manhã e ilumina os cantos escuros da casa, assim como os teus olhos acordam os meus sentidos na penumbra do corpo.

A luz entra pela fresta da manhã e ilumina os cantos escuros da casa, assim como os teus olhos acordam os meus sentidos na penumbra do corpo.

“Carrego uma lâmina sob a pele. Fria, cortante, protetora. Afasta-te de mim; afasta-me de ti, de todos, de mim. Sangro. E (quase) não sinto.”
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto| Frankie Boy


“Por trás da cor dos olhos” | Ensaio |
Pulsar Companhia de Dança

“Por trás da cor dos olhos” | Ensaio |
Pulsar Companhia de Dança

“Descubro que ser desadaptada é a minha fonte.”
Palavras | Clarice Lispector (A descoberta do mundo)

“É nos abraços de luz que a coragem comanda os membros que se submetem a ir no anseio de ficar.”
Projeto: Paulo Kellerman
Texto: Catarina Vale
| Fotos: Ana Gilbert | Textos: Paulo Kellerman
| Dança: Inesa Markava
Projeto em andamento com o grupo de pesquisa sobre movimento Te encontro lá no Cacilda / Pulsar Cia. de Dança | Teatro Cacilda Becker, Rio de Janeiro, Brasil.

Saber-se no corpo, ser o corpo, ser no corpo… o próprio e o do outro. Corpos humanos como materialidades diversas e criativas que se atualizam no dançar… corpos dançantes que interagem e se afetam mutuamente.
…..
“Estende-me a mão. E diz: Não a agarres. Diz: Sente-a, apenas.
Aproximo a minha mão. As duas palmas tocam-se, e assim ficam: juntas.
Diz: Agarrar significa prender, não achas? Para sentir o outro basta tocar-lhe. Talvez tocar seja uma forma de agarrar com liberdade.
E sorri. Também sorrio. Enquanto as nossas mãos se tocam. Livres e sorridentes.”
…..


“Vou despir-te de tudo o que és, deixar-te nua de ser. Vou despir-te até seres apenas corpo.”
Palavras | Miguel Clemente

Finges não perceber o que me acontece.

“Ainda de pé, continuas a despir-te; lentamente, tão lentamente. Sem me olhar: esquecida de mim.”
Palavras | Paulo Kellerman (Silêncios entre nós, O momento)

“Tens duas mãos para pousar onde preciso. Uma boca da qual espero o indizível. Narinas que me respiram. Apertas-me contra ti. Sinto-te. Dentro.”

“Como fazes quando precisas tocar as tuas próprias memórias? Tocar-lhes mesmo, com a ponta dos dedos?”
Palavras| Paulo Kellerman
…
da palavra à imagem, da imagem à palavra
…
quero tocar-me.
a minha pele
onde guardo as memórias,
(quais?)
nela, o que sei de mim
toco-me.
mas a pele é inalcançável,
etérea,
presença feita de luz
toco-me.
mas é superfície fria contra a pele quente
(sinto)
invento lembranças marcas feridas
e flores
toco-me.
no lugar onde não posso estar
(presença fugidia)
para, quem sabe,
existir em mim.
Palavras| Ana Gilbert

“Sou extremamente tátil.”
Palavras | Clarice Lispector (Um sopro de vida)

“Importa-se de parar de olhar para mim?”
Palavras | Paulo Kellerman
(reflexões sobre o olhar e a diferença, a partir do conto de mesmo nome, aqui)

“Lê a energia que está no meu silêncio.”
Palavras | Clarice Lispector (Água viva)

“Capta essa coisa que me escapa e no entanto vivo dela.”
Palavras | Clarice Lispector (Água viva)

a dança é como um transbordamento de mim…