
Uma imagem para um excerto de ÁGUA COM AÇÚCAR, romance de Ana Miguel Socorro
Quarta publicação da editora Minimalista


(encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com)

Uma imagem para um excerto de ÁGUA COM AÇÚCAR, romance de Ana Miguel Socorro
Quarta publicação da editora Minimalista


(encomendas pelo e-mail: minimalista.editora@gmail.com)


“I have saved this afternoon for you”
Palavras | T.S. Eliot (Portrait of a lady)

Recolho sutilezas que ninguém vê…


[diálogos]

“Sabes a mar. Sim, sabes a mar. E quando te beijo sinto-me transportado. Como se cada beijo teu me levasse numa viagem da qual não quero regressar.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Maria João Faísca
Foto | Ana Gilbert

“O gesto aquieta o medo.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Frankie Boy

Vermelho-sangue, vermelho-vida, vermelho-alma, vermelho-irmandade, vermelho-encontro, vermelho-gente… aqui, lá, em qualquer lugar…

“Encosto o meu peito no teu e oiço a força do mar rebentar nas rochas… Não é tempo de atracar. Ainda não é chegado o momento de deslizar os dedos nas dunas de areia.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Nuno Pinto Bastos
Foto | Ana Gilbert


“To give, indefinitely, to our human finitude, a form that is never definitive.”
Didier Anzieu (The skin-ego)


“Porque não lembramos o que vimos da primeira vez que olhámos, da primeira vez que os nossos olhos se abriram para o mundo e fizeram a sua primeira focagem?”
“Recordamos tantas primeiras coisas. Mas não a primeira vez que olhámos, que cheirámos, que tocámos; que sorrimos. Como podemos esquecer o primeiro sorriso?”
Paulo Kellerman (Aviões de papel)
Uma edição Minimalista

A escrita precisa de pele.

Sussurra-me ao ouvido que já é amanhã.

“14 dias a conta gotas. Cada dia é uma gota. 24 horas a cair e a desaparecer. Gosto de fingir que não entendo a sua finitude, a sua não importância, explicando-a desta forma: 24 horas a cair e a desaparecer. Afinal, o que é uma gota num oceano? É um oceano mais uma gota. Simples.
Lá fora, o frio e as feridas em sangue, em patas que já não suportam o peso. Amor sem retorno que já não se queixa de dor. Cá dentro, a lareira, dois gatos e a falsa sensação de calor. Do outro lado da rua, a insegurança. O tempo em modo decrescente. Fora dos limites geográficos do meu ninho, a ideia vaga de um oxigénio rarefeito em bolha de marfim. Impossível de respirar. O marfim é uma pedra. A pedra não tem pulmões. Nem cérebro. Nem coração. Tem apenas um corpo frio e duro. Um corpo sem pulmões não mexe. Move-se apenas com a ação conjugada de forças, mas não dança.
24 horas a cair e a desaparecer. Os meus dias em forma de gota. A ideia bonita dos dias transformados num imenso azul. É nisso que me detenho enquanto violento as insónias, quase diárias. Talvez assim custe menos ignorar a trágica ideia da gravidade. Recordo a ironia da maçã na vida de Newton. Poderia ter sido uma laranja, mas não foi. Uma melancia certamente seria uma falácia científica. Não levaria a lado nenhum. As melancias crescem na terra. As abóboras também. Ambas flores de uma terra que engole e deglute, mais tarde, corpos que não são pedras. Muito menos pedras de marfim. Essas ficam inalteráveis. Corpos quentes e moles. Corpos providos de pulmões que respiram. Uma idiossincrasia humana, enquanto a sorte o ditar. Questiono-me se os pensamentos também podem cair e desaparecer. A Elis Regina e o Nick Cave no gira-discos e um estômago alérgico a noticiários, dizem-me que sim.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Rita Rosa
Foto | Ana Gilbert

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero é uma verdade inventada.”
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Clarice Lispector (Água viva)

Fotografe – Revista de Fotografia

“Já não sou corpo, sou apego.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Miguel Socorro
Foto | Ana Gilbert


“Como são os teus medos? Quanto medem? Têm cores? São diários ou intermitentes? Duram muito ou pouco tempo? A que sabem? São partilhados ou enterrados?“
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Vitor Vieira
Foto | Ana Gilbert

“sou um momento de espera, quase um fim de solidão”
Palavras | Lya Luft (Mulher no palco)