
It’s the body that measures the passage of time.
Do you want to touch time?
text by Paulo Kellerman

All memories are traces of tears.
Wong Kar Wai (2046)

Fecho os olhos. E aguardo.
O clique acontece por dentro e o dedo aciona o disparador.
Não sei o que fotografei.
(nunca sei. iludo-me.)
I close my eyes. And wait.
The click happens within, and my finger presses the shutter button.
I don’t know what I’ve captured.
(I never do. I delude myself.)


“É difícil aprender a ser”
Hellington Vieira (rua nove casa vinte e um)


Em algum lugar no tempo, há sempre uma dança a acontecer.

Prosthetic wings.


Observa: olhos como dedos, dedos que querem tocar.

a recusa que nos separa.



Roto está
o meu
mun do
e não há agulha
que o remende.
Lúcia Vicente, Do dia que passa e além-mar (2025)
da coleção de poesia da nossa Minimalista
encomendas: minimalista.editora@gmail.com ou por DM

Pestanejamos nimbos e naipes inventraçados.
Simples escovadoras
a perolizar
a capela sistina
das palavras.
Escovamos com pestanas opala-arlequim.
Cardealinas, sangue-de-Adão.
Assim nascem(os) sonhos e perolices.
Poema | Ana Sofia Elias


Monday is the day I learned not to make deals with the system.
Anne Carson (Wrong Norma, 2024)


somos eternas na efemeridade da imagem.

“Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.”
Hilda Hilst (II, Júbilo, memória, noviciado da paixão)

