
Fecho
os olhos
e vejo
tanto.
Viviane Lucas (Um lugar pra guardar imensidões, 2023)

A linha que nos separa.

Quando tocas o corpo, sentes a alma?

And then I saw you. Do you still remember?

A (gentle) reminder to myself: there’s always a new perspective to discover.

“Lê a energia que está no meu silêncio.”
Clarice Lispector (Água viva, 1998)

“Todo eu é um esquecimento.”
Emanuele Coccia (Metamorfoses, 2020)




PORTABLE LINK, um diálogo entre fotografia e literatura.
Projeto com o escritor Paulo Kellerman, que nasceu em 2022 na plataforma Ello, agora extinta, e que continua no Instagram e no Vero.


Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça
Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno
Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci
Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos
No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome
Mia Couto [poemas escolhidos], 2006

Freedom is always a gesture. When an intention escapes the imagination and materializes in an action: freedom.
Text by Paulo Kellerman

Será que se deixar de me olhar ao espelho conseguirei esquecer o meu rosto? Conseguirei esquecer como sou, o que sou, quem sou? Conseguirei esquecer-me?
Texto| text: Paulo Kellerman

Na publicação # 4999 do Fotografar palavras, a parceria é com o querido Jorge VAz Dias.
Há sempre alguma solidão
Em quartos de hotel
Tal como um prenúncio
De escandaleira.
Há quem se suicide
Neles
E há que morra por segundos
Por prazer.
There is always a certain loneliness
In hotel rooms
Like a prelude
To scandal.
Some people commit suicide
There
And some die for seconds
For pleasure.
Texto | Text: Jorge VAz Dias
Fotografar palavras, projeto bonito do Paulo Kellerman. Nossa casa poética; lugar de encontros e afetos. Desde 2016.

Quando o vento aparece
Mostrando sua face invisível,
O mar sempre escurece
Cobrindo seu limite impossível…
Mas quando o mar entoa
Sua canção de mil sereias,
O vento, então, ecoa,
Fazendo luzir mil candeias…
O vento sopra o mar
E o mar encanta o vento…
Em si, tão diferentes,
Apenas tons de um mesmo momento…
Palavras: Marta Chagas (03/08/2010)


[series]

There is a certain way of breathing in which the body enters into perfect harmony with the universe; a way in which they breathe together. It’s something you practice. Or that you imagine.
Text by Paulo Kellerman
Portable Link, a dialogue between photography and literature
