sonho

“Fui sonhada por ti.”

José Eduardo Agualusa (Manual prático de levitação)

I am made of volcanic ash
where pipe dreams and grief marry and clash

words: Ana Sofia Elias

[there are people who reflect and unfold us, who share wings and shadows]

Your absence has made you more real, more authentic. Can you understand?

A tua ausência tornou-te mais real, mais autêntica. Percebes isto?

Text(o): Paulo Kellerman

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Desejo

“É sempre por rizoma que o desejo se move e produz.”

Deleuze e Guattari

[intervenção em fotografia]

Da arte interior

às vezes é preciso acertar
a velocidade da pele
com a do coração

Isabel Pires (Vai formosa e mui segura, 2024)

Como o mar

“O passado é como o mar: nunca sossega.”

José Eduardo Agualusa (Manual Prático de Levitação)

Na launderette

A secagem seguiu a lavagem
O ciclo da limpeza deixava-a impaciente,
como quem compra champô de lêndeas
e, com um pente fino, escova o cabelo
da raiz à ponta.

Queria brincar de observadora
mas a porta não era de vidro
nem tinha papel.


Se isto não acabar em 5 minutos tudo morre.
Ficou mas não ficou.
Acaba de secar no hotel.

Isso foi o jeito dela me dizer: e tudo não morreu na passagem lenta do tempo sem piruetas.

Cumplicidades com a Ana Sofia Elias

8 anos de sutilezas…

Neste momento, há pouco o que celebrar no mundo. São tempos sombrios que lançam múltiplos reflexos distorcidos e angustiantes.

Contudo, a vida pequena, cotidiana, continua e é preciso que seja assim. Pequenas joias aindas são lapidadas nas relações humanas. Rastros de luz ainda penetram pelas fissuras e emocionam ao revelarem a beleza que persiste.

Já são oito anos deste espaço do blog. Por aqui passaram várias vidas, vários olhares, (anônimos ou nem tanto), várias de mim.

O meu espanto é sempre enorme ao constatar que ainda há pessoas que param o tempo e se dispõem a olhar, ver e sentir. E isso faz valer a pena.

O meu obrigada e o meu sorriso.

“O que vemos, o que nos olha.”

Georges Didi-Huberman

At this moment, there is little to celebrate in the world. These are dark times, casting multiple distorted and distressing reflections.

And yet, ordinary, everyday life goes on, and it must. Small gems are still being polished in human relationships. Traces of light still slip through the cracks and move us, revealing the beauty that endures.

It has now been eight years since this blog space began. Many lives have passed through here, many gazes (anonymous or not so anonymous), many versions of myself.

I’m always deeply moved to realize that there are still people who pause time and choose to look, to see, to feel. And that makes it all worthwhile.

My thanks and my smile.

“What we see, what looks back at us.”

Georges Didi-Huberman

Corpo da imagem

“Meu corpo em face do corpo da imagem, meu corpo ser até chamado por este outro corpo (passado, desaparecido) cuja imagem convoca, ou me faz convocar, a sensação.”

Georges Didi-Huberman (imagens-ocasiões)