
“Fui sonhada por ti.”
José Eduardo Agualusa (Manual prático de levitação)

“Fui sonhada por ti.”
José Eduardo Agualusa (Manual prático de levitação)

“I am made of volcanic ash
where pipe dreams and grief marry and clash”
words: Ana Sofia Elias
[there are people who reflect and unfold us, who share wings and shadows]

A tua ausência tornou-te mais real, mais autêntica. Percebes isto?
Text(o): Paulo Kellerman

“Não quero mais me expressar por palavras: quero por ‘beijo-te’ “.
Clarice Lispector (Um sopro de vida)

“É sempre por rizoma que o desejo se move e produz.”
Deleuze e Guattari
[intervenção em fotografia]


às vezes é preciso acertar
a velocidade da pele
com a do coração
Isabel Pires (Vai formosa e mui segura, 2024)




Ontek foi a inauguração da sexta exposição do projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS.
@fotografarpalavras
Obrigada ao Jorge VAz Dias, por estar comigo na intensidade do poema.
Obrigada ao Paulo Kellerman, por agenciar beleza e afetos.
Obrigada ao m|i|mo – museu da imagem em movimento, pela acolhida a cada ano.
E obrigada à Silvia Bernardino, à Elsa Arrais e ao Jorge, por serem meus olhos neste dia festivo. Abraço forte.


“O passado é como o mar: nunca sossega.”
José Eduardo Agualusa (Manual Prático de Levitação)




A secagem seguiu a lavagem
O ciclo da limpeza deixava-a impaciente,
como quem compra champô de lêndeas
e, com um pente fino, escova o cabelo
da raiz à ponta.
Queria brincar de observadora
mas a porta não era de vidro
nem tinha papel.
Se isto não acabar em 5 minutos tudo morre.
Ficou mas não ficou.
Acaba de secar no hotel.
Isso foi o jeito dela me dizer: e tudo não morreu na passagem lenta do tempo sem piruetas.
Cumplicidades com a Ana Sofia Elias

demora-se na inspiração do tempo
desdobrar-se-á na expiração

Neste momento, há pouco o que celebrar no mundo. São tempos sombrios que lançam múltiplos reflexos distorcidos e angustiantes.
Contudo, a vida pequena, cotidiana, continua e é preciso que seja assim. Pequenas joias aindas são lapidadas nas relações humanas. Rastros de luz ainda penetram pelas fissuras e emocionam ao revelarem a beleza que persiste.
Já são oito anos deste espaço do blog. Por aqui passaram várias vidas, vários olhares, (anônimos ou nem tanto), várias de mim.
O meu espanto é sempre enorme ao constatar que ainda há pessoas que param o tempo e se dispõem a olhar, ver e sentir. E isso faz valer a pena.
O meu obrigada e o meu sorriso.
“O que vemos, o que nos olha.”
Georges Didi-Huberman

At this moment, there is little to celebrate in the world. These are dark times, casting multiple distorted and distressing reflections.
And yet, ordinary, everyday life goes on, and it must. Small gems are still being polished in human relationships. Traces of light still slip through the cracks and move us, revealing the beauty that endures.
It has now been eight years since this blog space began. Many lives have passed through here, many gazes (anonymous or not so anonymous), many versions of myself.
I’m always deeply moved to realize that there are still people who pause time and choose to look, to see, to feel. And that makes it all worthwhile.
My thanks and my smile.
“What we see, what looks back at us.”
Georges Didi-Huberman

o corpo marcado pelo azul da cidade.


“Meu corpo em face do corpo da imagem, meu corpo ser até chamado por este outro corpo (passado, desaparecido) cuja imagem convoca, ou me faz convocar, a sensação.”
Georges Didi-Huberman (imagens-ocasiões)

All memories are traces of tears.
Wong Kar Wai (2046)