
Silence scares me a little, just a little.
Portable Link, a dialogue between photography and literature.

Silence scares me a little, just a little.
Portable Link, a dialogue between photography and literature.

Portable Link, um diálogo entre fotografia e literatura.
Textos: Paulo Kellerman
Fotografias: Ana Gilbert

da matéria de que é feito o amor

Hoje, no FOTOGRAFAR PALAVRAS, a parceria é com o amigo Paulo Kellerman, criador e coordenador deste espaço de conversa entre fotografia e literatura que sentimos como a nossa casa de criação.
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Dentro de mim permanece a minha liberdade, intensa e caótica. Em ebulição permanente. À procura de uma janela.
Within me remains my freedom, intense and chaotic. In permanent ebullition. Looking for a window.
Texto | Text: Paulo Kellerman
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

A SONHADORA, ensaio fotográfico-literário com Frankie Boy na Revista Tangerine # 11
[English version here]










[vídeo Instagram]
Comecei o exercício do autorretrato, em 2005, movida pelo interesse em pesquisar sobre aspectos identitários menos óbvios do que a face, considerada elemento identitário por excelência, que nos particulariza e diferencia do outro.
Haveria no gesto, para além do encenado para a fotografia, algo que revelaria aspectos mais profundos do eu e que se traduziriam como marca identitária?
Fotografo-me desde então com essa pergunta em mente, não para reproduzir essa identidade, e sim como um exercício de criação de ‘ficções do eu’ que acontecem a partir dela e vão além.
Fotografo-me como possibilidade de explorar a multiplicidade na inteireza; a fragmentação na coesão.
.
Fotos onde incluo o rosto são raras. Creio que esta sequência é a primeira que faço desse tipo. Nesse dia, apeteceu-me. Apenas porque sim.
*****
I began the self-portrait exercise in 2005, driven by the interest in exploring less obvious aspects of identity than the face, considered an identity element par excellence, which particularizes and differentiates us from others.
Would there be something in the gesture, beyond what is staged for the photograph, that would reveal deeper aspects of the self and that would be translated as an identity mark?
Since then, I’ve been photographing myself with this question in mind not to reproduce this identity, but rather as an exercise in creating ‘fictions of the self’ that emerge from it and go beyond it.
I photograph myself as a way to explore multiplicity within wholeness and fragmentation within cohesion.
Photos Including my face are rare. I believe this is the first sequence I’ve done of this kind. On that day, I felt like it. Just because.


deposito no teu peito
a concha bonita que apanhei na ilha
– a mais-que-imperfeita, digo a sorrir de verdade infantil –
e sinto que as geografias se sobrepõem em planos intercalados
como transparências de longe e perto
dia e noite mar e corpo caminhos-pele
dos dias de sal que trazemos nos dedos
para serem casa
Fotografar palavras, a nossa casa criativa. Um projeto bonito do amigo Paulo Kellerman que nos desafia a ir além. Desde 2016.
Foto minha para o belo e inspirador poema da Isabel Pires

Fotografar Palavras, um projeto bonito do Paulo Kellerman que se expande pelo mundo, trazendo uma dose diária de arte.
Hoje, estreando parceria com Geralda de Graaf

“O que elas não entendiam é que eu precisava de tudo quanto conseguisse reunir para não me estatelar no nada.”
Andreia Azevedo Moreira (Augustine e os maus sentimentos)

Quando sopra o vento de Iansã…

Ano novo, colaboração nova no FOTOGRAFAR PALAVRAS # 4542: Rúben Marques
@palavras_resgatadas
@fotografarpalavras
Ramo despido:
Cai a última folha
De outro tempo.
Naked branch:
The last leaf
From another time
Falls.
Texto | Text: Rúben Marques
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Fotografar palavras, projeto bonito criado pelo Paulo Kellerman e recriado diariamente por todxs nós.
[Fotografar palavras, a beautiful project created by Paulo Kellerman and recreated daily by all of us. Since 2016.]

Um dia aprenderei como seguir a luz.


que venham tempos criativos e floridos.


Escrever-te um poema pela linha do pescoço abaixo. Acertar pelo ângulo a 90º do teu ombro. Fazer latitude e viajar 100 milhas submarinas. Seres confins do universo e o leito do mar.
Tudo a partir da pele.
[a beleza da liberdade do vento das palavras. Poema de Jorge Vaz Dias]


“Talvez um dia percebas: é na aparente fragilidade que revelo a minha força.”



Working
in her attic
studio
she
mirrors
a whirling
dervish
swirling
twirling
shuffling
gracefully
gliding
from one spot
to another…
Checking
her camera
re-focusing
testing
too
her lighting
calculating
highlights
shadows
distance
Consulting
a mirror
posing
standing
sitting
squatting
then rising
rising briefly
to a
demi-plié
Her thumb
repeatedly
presses
her
tiny remote
control
and
the shutter
clicks
clicks
and clicks
echoing
with
image
after
image
Satisfied
she stands
triumphantly
arms raised
exhaling
with a whoosh
cheeks
flushed
in a kind of
relevé
like a
ballerina.
Fred Fullerton, 2023
[thank you for your beautiful poem]
——-
A Fotógrafa Trabalha: Um Balé
Trabalhando
em seu estúdio
no sótão
ela
espelha
um
dervixe
rodopiante
girando
rodando
arrastando os pés
delizando
graciosamente
de um ponto
a outro…
Verificando
o foco
da sua camêra
testando
também
a luz
calculando
realces
sombras
distância
Consultando
um espelho
posando
em pé
sentada
agachanda
depois subindo
subindo brevemente
a um
demi-plié
Seu polegar
pressiona
repetidamente
seu
minúsculo
controle remoto
e
o obturador
clica
clica
e clica
ecoando
com imagem
após
imagem
Satisfeita
ela fica de pé
triunfante
braços erguidos
exalando
com um
suspiro
as faces
coradas
em uma espécie de
relevé
como uma
bailarina.
Fred Fullerton, 2023