
“Como se a poesia fosse a linha mais curta entre duas almas.”
(Pedro Machado)

“Como se a poesia fosse a linha mais curta entre duas almas.”
(Pedro Machado)

Conversa sobre o livro Água Viva de Clarice Lispector
O evento contará com a participação das integrantes do Instituto Junguiano do Rio de Janeiro (IJRJ):
Sigrid Haikel, Maria Lúcia Lorêdo, Áurea Torres e Ana Gilbert
Dia 01 de Outubro de 2021| Sexta-feira, de 14h às 16h.
Valor simbólico de R$ 25,00 que será revertido para Casas das Palmeiras – Nise da Silveira

A vida será sempre sonho.
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Peter A. Gilbert

“Às vezes tudo à nossa volta precisa de morrer para que possamos viver.”
Elsa Margarida Rodrigues (As horas do fim)
Uma publicação Minimalista

encomendas: minimalista.editora@gmail.com

“Não somos o que vestimos mas os farrapos que escondemos…”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Cristina Vicente
Foto | Ana Gilbert

a pele é também consciência.

“O tempo dilata-se em angústia.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Juliana Monteiro Carrascoza

[rosa dos ventos]
o coração apontava
um rumo contrário oposto
e surdos seguiam os pés
cada passo a esmagar
uma pétala um sonho
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Dulci Dantas
Foto | Ana Gilbert

“Everything breathes together.”
Plotino

Quando voltaremos a tocar o céu?

“Dá-me a mão quando já não souber o caminho.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Nuno Pinto Bastos
Foto | Ana Gilbert

desejo. a fantasia que nos separa

“O que me vai na alma é como uma albufeira cujas comportas estão por abrir. Seria preciso uma vida para escutar-me… com calma.“
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Nuno Pinto Bastos
Foto | Ana Gilbert


Consigo existir sem mim?

… sem pressa…

“como enxergar, se só temos olhos?”
Palavras | Luiz Ruffato (As máscaras singulares)

Foi à varanda fumar um cigarro, como de costume. Mas desta vez era diferente. Casamento desfeito, malas arrumadas, ida para um apart-hotel. Repara na vista que é desconhecida. Terá de observar cada edifício, cada árvore, até conseguir visualizá-los de olhos fechados para que a paisagem se torne familiar. Como a outra. As roupas trazidas, poucas, menos do que necessita – ternos gravatas camisas sapatos – convivem pacificamente no armário. Uma paz que não sente. Sabe que qualquer dia destes será preciso voltar e buscar mais. Objetos, quase nenhum, salvo alguns papéis dos negócios mais recentes, coisas de uso diário e a cigarreira de prata, herança de um avô distante, que agora acaricia.
Volta a pensar na mulher, nos filhos dormindo a essa hora. Prefere a madrugada, as horas mortas do dia. Sem solicitações familiares. O mundo se suspende por alguns momentos e quase é possível iludir-se de que tudo não passa de um episódio de mau gosto para perturbar sua metódica rotina. Sabe que não. Não desta vez. Agora é sem volta. A discussão com a mulher, que os filhos tardios presenciaram, arrebentou os últimos fios dos frágeis laços que os uniam. Corroídos pelo tédio. Era isso. Toda a sua vida se desenrolara em meio a um grande e inequívoco tédio. Dividia-se entre as roupas de trabalho e as outras, as de viver, que quase não usava.
Agora, frente ao vazio do horizonte, tenta retraçar os momentos bons, mas não consegue. Como os edifícios da nova vizinhança. Eles escorregam na memória, pregam peças, escondem-se por entre os contratos fechados com os seletos clientes. Percebe que o vazio é também seu. Depara-se com o abismo instalado, sorrateiro, cavado sistematicamente a cada novo amanhecer sem sentido.
Um brisa morna, estagnada, balança as folhas das árvores da rua. Imagina sentir um cheiro acre que o deixa vagamente nauseado. Um leve tremor perpassa os dedos que sustentam o cigarro. Ao olhar a sala, percebe nos móveis impessoais as escolhas que nunca foram profundamente suas, mas de alguém que o habita. Quem?
Pela primeira vez, é capaz de nomear algo em si e empalidece. Um filete de suor frio escorre pela têmpora. Sente, e isso é novo, que é preciso fazer alguma coisa. Aquela sensação difusa na boca do estômago de repente grita dentro dele. Uma dor aguda corta-o em diagonal, como o risco do espelho partido pelo frasco de perfume de mulher na noite anterior.
Como que em câmera lenta, apaga o cigarro e encara o telefone. Em algum ponto da cidade, na paisagem compartilhada, um outro telefone toca.
As horas mortas | Ana Gilbert (texto e foto)
Conto Minimalista #5 | Parceria com Til Magazine

“O que eu sinto não serve para se dizer”
Palavras | Clarice Lispector (Mineirinho, Fundo de Gaveta)

“A noite acontece dentro de mim e já não estás.“
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Peter A. Gilbert

A vida será sempre sonho.