7 anos de Sutilezas…

SUTILEZAS DO OLHAR | 7

Sete anos do blog, este lugar silencioso por onde as pessoas passam e deixam suas marcas, ainda que não se manifestem. Sim, sinto-as por cá e o anonimato é, de certa forma, fascinante.
O blog evoca um tempo sem tempo, a ideia de pausa ou de suspensão, como uma paisagem, onde nos demoramos antes de voltar à estrada.

Obrigada a todas e todos que olham por esta janela, que muitas vezes se vêem refletidos nela, que se permitem pausar e tentar apreender aquilo que nem sempre sei dizer.

E consumida de linhas
Enovelada de ardência
Te aguardo às portas da minha cidade
.”

Hilda Hilst (Cantares)

Seven years of the blog, this silent place where people pass by and leave their marks, even if they don’t express themselves. Yes, I can feel them here, and the anonymity is, in a way, fascinating. The blog evokes a timeless time, the idea of a pause or suspension, like a landscape where we linger before returning to the road.

Thank you to everyone who looks through this window, who often sees themselves reflected in it, who allows themselves to pause and try to grasp what I don’t always know how to express.

Clariceana

Meu ensaio fotográfico CLARICEANA está na Revista Tangerine # 10, na companhia de outros trabalhos lindos.

Este ensaio foi inspirado no livro Água Viva, de Clarice Lispector. Nele, autorretratos dialogam com paisagens aquáticas, oníricas em sua fluidez e atemporalidade, onde o dentro e o fora se confundem e se complementam. Juntos, formam paisagens internas, imagens-palavras que convidam à experiência sensorial, ao mergulho em águas profundas, onde luz e sombra se fazem presentes e explicitam tensões.
O fascínio exercido por essa zona limítrofe, a superfície da água, demarca a fronteira entre a vigília e o sono, entre as instâncias da psique (consciência e inconsciente). As imagens nos levam a percorrer trilhas fragmentadas e poéticas, marcadas pela alternância entre movimento e quietude. Experienciamos a relação com o espaço que nos circunda. Um espaço que é ao mesmo tempo externo e interno, Cheio e vazio. Um espaço que se descortina estranho e ampliado quando vislumbrado na superfície refletora da água ou do espelho. Múltiplos espelhos, múltiplas imagens: de nós e do mundo que habitamos e que nos habita. Instantes- já da relação “eu-tu”, coagulados como fotografias. Cenas e o seu avesso. A realidade enviesada.
O ensaio oferece a experiência pura do fluxo de vida, do instante que é como o silêncio que está no silêncio das coisas e não pode ser ouvido, a não ser com o corpo inteiro; como uma realidade que se cria a partir da escuridão e do sonho. A partir da imaginação.
Água, ar, planta, corpo. A alternância entre a sensação de dissolução e a aventura arriscada de fixar a delicadeza do encontro eu-outro, eu-mundo. Clariceana é uma tentativa de capturar o incapturável: a respiração que rege a ordem do mundo, do meu mundo. O ritmo da pulsação. A liberdade de vida e morte. O seu mistério. Efemeridade e eternidade em mim.

4 anos…

4 anos de sutilezas…

Estes são tempos difíceis… e a arte tem sido uma grande companheira. Muita coisa aconteceu neste ano: palavras, imagens, entrelaçamentos, parcerias… uma editora, a Minimalista.

O meu agradecimento aos que percorrem comigo este caminho; aos que me afetam e se deixam afetar pelo meu olhar…

“todas as guerras estão | infectadas pela | expectativa do amor”

(Valter Hugo Mãe, Publicação da mortalidade)