
o teu rastro em mim



já há um relâmpago ao
invés do homem
que combate à noite
a tua ausência
Valter Hugo Mãe (publicação da mortalidade)

tocar a pele infinita e intemporal da imagem.



“O meu nome é essa cicatriz
que insistes que sabes ler
só porque a fizeste.”
[My name is that scar
you insist you know how to read
just because you made it.]
Gisela Casimiro (Giz)

“As imagems poéticas têm, também elas, uma matéria.”
Gaston Bachelard (A água e os sonhos)

existe sempre a hora do dia em que se fecha no seu casulo de luz.
[there is always a time of day when she retreats into her cocoon of light.]

Qual o ‘eu’ que conta esta história?


“Perco a consciência, mas não importa, encontro a maior serenidade na alucinação.”
Clarice Lispector (Perto do coração selvagem)

Duas Anas numa aeronave improvisada a (des)pilotar a caminho de. Pausa e ponto de interrogação. Tocamo-nos no escuro e iluminamos arquipélagos. Fluida-Mente.
Esta é uma colaboração especial que nasceu de um exercício de escrita orgânico e fascinante entre mim e a Ana e de um lugar de curiosidade mútua.
A(ero)NA(ve)S
{~Texto zipado para desdobrar em imagens~}
e o que queres fazer?
Eros, erótico, está sempre presente na criação
O dedo (in)vísivel
que percorre a pele da palavra
e os poros da fotografia.
Captar o hálito da imagem
e fugir do hábito da palavra
para habitar a palavra
que faz montanhas parirem retratos
|| parir em retratos
o desejo que se vê
dentro da cabana do acento circunflexo
havia fios de trama || ou ele passa por baixo || ou ele passa por cima ||
dos fios de urdume ||
é o jacquard de entre_peles
que nos veste a timidez
e desloca inflexões
– Passa-me um Marlboro. Ali atrás da persiana
(ecoo-me para tocar-te)
O arranha-céus de jacquard rasga o tecto da cabana
Delírio a céu aberto.
*****
[O texto foi escrito a quatro mãos com a Ana Sofia Elias | a foto é minha]



Parceria nova no FOTOGRAFAR PALAVRAS: Cristiana Ribeiro | Publicação # 5029
Dança, que o corpo descongela, o coração aquece e a alma reencontra-se.
Dance, and the body will unfreeze, the heart will warm up and the soul will find itself again.
Fotografar palavras, projeto do Paulo Kellerman e de todos nós. Uma casa onde cabem muitos afetos e encontros. E é assim desde 2016.

desejo. a fantasia que nos separa.

A linha que nos separa.

Quando tocas o corpo, sentes a alma?