A vida arranha…

Sempre

“Estamos sempre a morrer, pensei. Sempre.”
Palavras | Paulo Kellerman (Serviços mínimos de felicidade)
***
(foto da foto no mundo)
Talvez

“Talvez continue à espera que chegues. Que venhas: e sorrias.”
Palavras | Paulo Kellerman (Chega de fado)

O meu corpo tem saudades do teu olhar.
***
“é no silêncio que um corpo clama pelo outro.”
(João Anzanello Carrascoza, Caderno de um ausente | Trilogia do adeus)
eu e ela

“Eu no espelho:
atentas, nós duas,
rostos que excedem nossa imagem,
estendemos a mão, espalmamos os dedos nesse pó
de gelo. Sabemos: quando eu mergulhar daqui,
e do seu lado, ela,
hão de girar ao sopro da voragem
todos os meus sonhos, e os sonhos dela.
Labirinto de espelhos, reflexos de reflexos,
eu e ela continuamos sós.”
Palavras | Lya Luft (Mulher no palco)

“Se te pareço ausente, não creias:
hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,
hora a hora meu desejo revolve teus escombros,
e escorrem dos meus olhos mais promessas.
Não acredites nesse breve sono;
não dês valor maior ao meu silêncio;
e se leres recados numa folha branca,
não creias também: é preciso encostar
teus lábios nos meus lábios para ouvir.
Nem acredite se pensas que te falo:
palavras
são meu jeito mais secreto de calar.”
Palavras | Lya Luft (Mulher no palco)
Percebo-te

Percebo-te no espanto desta imensidão ausente. Encanto.

“Ver as coisas é que eram as coisas.”
Palavras | Clarice Lispector (A cidade sitiada)
Ser

“uma gota com a força do rio, que cada gota é rio
um rio com a pureza da gota, que o rio são gotas”
Palavras | Luís Rodrigues
Silêncio

Às vezes tento fotografar o silêncio. Nem sempre consigo.
Em mim

“Continuo cheia das coisas que não foram feitas para serem ditas à luz do dia.”
Palavras | Clarice Lispector
Fluxo


JaamZIN Creative
Toque

“E, de seguida, senti os seus dedos tocarem-me ao de leve, enchendo de tinta negra os contornos da minha cabeça.”
Palavras | Al Berto (O anjo mudo)
Fios



Sonho

Marés

Tenho um mar revolto e intransponível dentro de mim.
“Do I dare disturb the universe?” (T.S. Eliot, The love song of J. Alfred Prufrock)


