

“I have saved this afternoon for you”
Palavras | T.S. Eliot (Portrait of a lady)


“I have saved this afternoon for you”
Palavras | T.S. Eliot (Portrait of a lady)

Recolho sutilezas que ninguém vê…



[diálogos]

Quando poderemos tocar o céu?

Vermelho-sangue, vermelho-vida, vermelho-alma, vermelho-irmandade, vermelho-encontro, vermelho-gente… aqui, lá, em qualquer lugar…

“eu tenho medo de abrir a porta que dá pro sertão da minha solidão “
Belchior (Pequeno mapa do tempo)


“To give, indefinitely, to our human finitude, a form that is never definitive.”
Didier Anzieu (The skin-ego)


“Porque não lembramos o que vimos da primeira vez que olhámos, da primeira vez que os nossos olhos se abriram para o mundo e fizeram a sua primeira focagem?”
“Recordamos tantas primeiras coisas. Mas não a primeira vez que olhámos, que cheirámos, que tocámos; que sorrimos. Como podemos esquecer o primeiro sorriso?”
Paulo Kellerman (Aviões de papel)
Uma edição Minimalista

A escrita precisa de pele.


Sussurra-me ao ouvido que já é amanhã.

“14 dias a conta gotas. Cada dia é uma gota. 24 horas a cair e a desaparecer. Gosto de fingir que não entendo a sua finitude, a sua não importância, explicando-a desta forma: 24 horas a cair e a desaparecer. Afinal, o que é uma gota num oceano? É um oceano mais uma gota. Simples.
Lá fora, o frio e as feridas em sangue, em patas que já não suportam o peso. Amor sem retorno que já não se queixa de dor. Cá dentro, a lareira, dois gatos e a falsa sensação de calor. Do outro lado da rua, a insegurança. O tempo em modo decrescente. Fora dos limites geográficos do meu ninho, a ideia vaga de um oxigénio rarefeito em bolha de marfim. Impossível de respirar. O marfim é uma pedra. A pedra não tem pulmões. Nem cérebro. Nem coração. Tem apenas um corpo frio e duro. Um corpo sem pulmões não mexe. Move-se apenas com a ação conjugada de forças, mas não dança.
24 horas a cair e a desaparecer. Os meus dias em forma de gota. A ideia bonita dos dias transformados num imenso azul. É nisso que me detenho enquanto violento as insónias, quase diárias. Talvez assim custe menos ignorar a trágica ideia da gravidade. Recordo a ironia da maçã na vida de Newton. Poderia ter sido uma laranja, mas não foi. Uma melancia certamente seria uma falácia científica. Não levaria a lado nenhum. As melancias crescem na terra. As abóboras também. Ambas flores de uma terra que engole e deglute, mais tarde, corpos que não são pedras. Muito menos pedras de marfim. Essas ficam inalteráveis. Corpos quentes e moles. Corpos providos de pulmões que respiram. Uma idiossincrasia humana, enquanto a sorte o ditar. Questiono-me se os pensamentos também podem cair e desaparecer. A Elis Regina e o Nick Cave no gira-discos e um estômago alérgico a noticiários, dizem-me que sim.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Rita Rosa
Foto | Ana Gilbert

“Aguardo com paciência a harmonia dos contrários.”
Clarice Lispector (A descoberta do mundo)


Espreguicei as pestanas… e lá estavas tu…
(instantes ficcionais: expressão de João Gilberto Noll que se refere a narrativas mínimas, instantes coagulados que privilegiam a imagem e que capturam o mundo por meio de uma linguagem poética que se aproxima da fotografia)

“Porque o barro que nos compõe,
é esse que nos desintegra.”
Luiz Ruffato (As máscaras singulares)

Fotografe – Revista de Fotografia


“sou um momento de espera, quase um fim de solidão”
Palavras | Lya Luft (Mulher no palco)