
Você não tem medo de mim
Você tem medo é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo é de você
Você tem medo é de querer
Me amar
Adriana Calcanhotto
[ouça aqui]

Você não tem medo de mim
Você tem medo é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo é de você
Você tem medo é de querer
Me amar
Adriana Calcanhotto
[ouça aqui]

“Ter nascido significa isto: não ser puro, não ser si mesmo, ter em si alguma coisa que vem de outro lugar, alguma coisa de estranho que nos leva a nos tornarmos a cada vez estrangeiros a nós mesmos.”
Emanuele Coccia (Metamorfoses, 2022)

It is this body that holds all that I am.
An envelope that contains me,
Defines me,
Limits me.
And everything I am is born in it.
But is everything that is born in my body mine?
Universes of desires that arise and grow
And multiply,
Fleeting or perhaps eternal,
Powerful and immense in their power
Of disconcerting.
Do they belong to me?
Desires that are dreams
Without flesh
Or material density
Or geometric contour
Or palpability.
Perhaps dreams are a concrete reality,
As concrete as the most consistent
Of realities.
Concrete like a tree or a bridge or a clothesline or a fire
Or a body.m
But a reality lacking the senses.
Concrete,
But without dimension or volume.
Without physical outline or measurability,
Just intention and design.
Like when you say you want to give me a hug
Or a kiss,
But you do not really give me a hug
Or a kiss.
My body produces universes of desires,
Immense in their power
Of disconcerting.
But useless.
What good are dreams
If you cannot touch them?
in And when the questions are over? REIMAGINED
Paulo Kellerman (text) & Ana Gilbert (photo)

com Sigrid Haikel

Thought of you as everything
I’ve had, but couldn’t keep
The Velvet Underground (Pale Blue Eyes)

O arrepio que percorre.




“O trem veloz chegou carregado das mais belas rosas do mundo. Mas você não veio.
Se isso acontecer outra vez estendo-me sobre os trilhos.”
excerto de carta de Nise da Silveira a Marco Lucchesi (in Viagem a Florença, de Marco Lucchesi, 2025)

“Estamos definitivamente sozinhos.”
Al Berto (O anjo mudo)


Saiu no Jornal de Leiria,.. Palavra de honra
Obrigada, Ricardo Graça e Jornal de Leiria
[texto completo aqui]

Time is out of joint, diz Hamlet, na tragédia de William Shakespeare, ao saber do assassinato do rei, seu pai, pelo tio.
Time is out of joint, diz Paul B. Preciado, sobre o colapso do capitalismo petrossexorracial.
Time is out of joint, é o que diz cada célula do meu corpo quando olha o reflexo do mundo na superfície do sangue derramado.
[isto também é sobre Gaza]


Se fosse aguaceiro
Caía em ti como pena
Como cena de filme.
Como película
Que desvenda
Sopros no peito.
Leitos.

“Fui sonhada por ti.”
José Eduardo Agualusa (Manual prático de levitação)

“I am made of volcanic ash
where pipe dreams and grief marry and clash”
words: Ana Sofia Elias
[there are people who reflect and unfold us, who share wings and shadows]

“Não quero mais me expressar por palavras: quero por ‘beijo-te’ “.
Clarice Lispector (Um sopro de vida)

“É sempre por rizoma que o desejo se move e produz.”
Deleuze e Guattari
[intervenção em fotografia]









uma câmera
um rolo de filme
dois fotógrafos
Frankie Boy fotografou Ana Gilbert
Ana Gilbert fotografou Frankie Boy
escreveram com luz
com palavras
fragmentos de tempo
atravessamentos de histórias
encontro
***
a camera
a roll of film
two photographers
Frankie Boy photographed Ana Gilbert
Ana Gilbert photographed Frankie Boy
they wrote with light
with words
fragments of time
interweaving of stories
encounter