
Quando sopra o vento de Iansã…

Quando sopra o vento de Iansã…

Um dia aprenderei como seguir a luz.


que venham tempos criativos e floridos.


Escrever-te um poema pela linha do pescoço abaixo. Acertar pelo ângulo a 90º do teu ombro. Fazer latitude e viajar 100 milhas submarinas. Seres confins do universo e o leito do mar.
Tudo a partir da pele.
[a beleza da liberdade do vento das palavras. Poema de Jorge Vaz Dias]



Inspired by my photo The wanderings of light, Fred Fullerton wrote this beautiful poem, translated by me.
Meanderings of light
Light is protean
often fickle
as it wanders
exposing or hiding
playfully dancing
a ballet of motes
on rays of sunshine
among shadows
its beams bend
or refract
as through a prism
to project colors
on all illumined
seen or not
light in a person’s eyes
reflect their color
penetrating
like an x-ray
secrets of souls
from birth to death
…and then?
Meandros da luz
A luz é proteana
muitas vezes inconstante
enquanto vagueia
expondo ou escondendo
um balé de partículas
dançando alegramente
nos raios de sol
entre sombras
seus feixes dobram
ou refratam
como através de um prisma
para projetar cores
em todos os iluminados
vistos ou não
a luz nos olhos de uma pessoa
reflete sua cor
penetrando
como um raio-x
segredos de almas
desde o nascimento até a morte
… e depois?
Frederick Fullerton


the wanderings of light

“Talvez um dia percebas: é na aparente fragilidade que revelo a minha força.”

Before the mirror
she regards her face
as if for the first time
Wrinkles and lines
betray her age and
she fears her gaze
Betrays her soul
and inner thoughts
revealing too much
Reminders of loves
both joys and torments
pre- and post-betrayals
She sees and feels
the burden of years
plagued by regret and guilt
Yet accepts the truth
it’s too late to dwell
in yesterday’s debris
She smiles then turns
walking away
to embrace the future.
Frederick Fullerton 2023




ando em busca dos fragmentos de mim como naqueles quebra-cabeças de infinitas peças.

o exercício diário de ser quem se é.

(Emanuele Coccia, A vida das plantas)


Working
in her attic
studio
she
mirrors
a whirling
dervish
swirling
twirling
shuffling
gracefully
gliding
from one spot
to another…
Checking
her camera
re-focusing
testing
too
her lighting
calculating
highlights
shadows
distance
Consulting
a mirror
posing
standing
sitting
squatting
then rising
rising briefly
to a
demi-plié
Her thumb
repeatedly
presses
her
tiny remote
control
and
the shutter
clicks
clicks
and clicks
echoing
with
image
after
image
Satisfied
she stands
triumphantly
arms raised
exhaling
with a whoosh
cheeks
flushed
in a kind of
relevé
like a
ballerina.
Fred Fullerton, 2023
[thank you for your beautiful poem]
——-
A Fotógrafa Trabalha: Um Balé
Trabalhando
em seu estúdio
no sótão
ela
espelha
um
dervixe
rodopiante
girando
rodando
arrastando os pés
delizando
graciosamente
de um ponto
a outro…
Verificando
o foco
da sua camêra
testando
também
a luz
calculando
realces
sombras
distância
Consultando
um espelho
posando
em pé
sentada
agachanda
depois subindo
subindo brevemente
a um
demi-plié
Seu polegar
pressiona
repetidamente
seu
minúsculo
controle remoto
e
o obturador
clica
clica
e clica
ecoando
com imagem
após
imagem
Satisfeita
ela fica de pé
triunfante
braços erguidos
exalando
com um
suspiro
as faces
coradas
em uma espécie de
relevé
como uma
bailarina.
Fred Fullerton, 2023

lá, onde não estou.