Almas desligadas

Em novembro de 2016, Paulo Kellerman publicou o romance Serviços Mínimos de Felicidade. Em julho de 2017, Ana Gilbert recebeu-o de presente do autor: um livro impactante, denso, poético e extremamente imagético. A vontade de transformar as imagens potenciais em atuais levou-a a escolher (difícil tarefa) e fotografar 27 excertos do romance. A partir desse conjunto de fotos, novas leituras e possibilidades surgiram e Paulo Kellerman escreveu o conto Almas desligadas, que pode ser lido como um capítulo escondido do romance.

Palavras fotografadas, fotografias narradas…

Almas desligadas integra a exposição Almas Desligadas e Outras Histórias que inaugura amanhã na Galeria Indoor.

Produção | Rococó Clean

Fragmentos narrativos

Neste ensaio, elementos recortados de esculturas ganham novas perspectivas, observados por ângulos menos comuns. Desdobram-se em narrativas imaginadas, em afetos que desassossegam, instigam, surpreendem. E falam de nós.

 

Afinidades conectam os fragmentos aos autorretratos, fragmentos de um corpo narrado; estabelecem um diálogo de afetos que se desenrola diante do observador, no próprio observador.

Fragmentos narrativos e Desejo de Presença (autorretratos) são dois ensaios da Exposição Almas Desligadas e Outras Histórias, que conta, ainda, com o material produzido em parceria com o escritor Paulo Kellerman.

Inauguração: 12 de abril de 2019

Galeria Indoor | Produção: Rococó Clean

Desejo de presença

Na série Desejo de Presença, Ana Gilbert trabalha o autorretrato como suporte de expressão artística e tem como objetivo experimentar o corpo como ficção na sua relação com o mundo. A fluidez dos contornos, a reverberação desses contornos no espaço e a ênfase do corpo como ‘presença’ que interpela e afeta são características marcantes deste trabalho da artista.

Os autorretratos são parte da exposição Almas Desligadas e Outras Histórias, que inaugura dia 12 de abril na Galeria Indoor a partir das 19h. Todas as obras estarão à venda e a galeria ficará de portas abertas também no dia 13 de abril, das 14:30 às 20h.

Produção | Rococó Clean

Almas Desligadas e Outras Histórias | Exposição |

Na exposição Almas Desligadas e Outras Histórias, Ana Gilbert apresenta três fragmentos de seu trabalho que dialogam entre si de forma natural. São autorretratos, recortes de esculturas em mármore e uma série de fotos de excertos do livro Serviços Mínimos de Felicidade, escrito pelo autor português Paulo Kellerman, numa bonita parceria entre fotografia e literatura.

Todas as obras estarão à venda na Galeria Indoor a partir da noite de abertura, no dia 12 de abril.

Galeria Indoor | Produção: Rococó Clean

Femininos pessoais | Autorretrato

Exposição Femininos pessoais | Autorretrato

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Exposição Femininos pessoais | Autorretrato

Exposição coletiva FEMININOS PESSOAIS | AUTORRETRATO
24 fotógrafas que utilizam o autorretrato como suporte de expressão.

Centro Cultural Justiça Federal | Rio de Janeiro
Abertura dia 19 de março de 2019, às 19 horas
Visitação 20 de março a 28 de abril de 2019 | terça a domingo, das 12 às 19 horas | Galerias do 2º andar

Curadoria Rococó Clean

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Nasci e moro no Rio de Janeiro, Brasil. Em paralelo às minhas atividades como psicóloga clínica e pesquisadora, desenvolvo trabalho autoral em fotografia. O gosto por essa forma de expressão artística surgiu a partir de estudos sobre o olhar, ligados à pesquisa acadêmica, como forma de testar novas perspectivas e de desafiar o risco sempre presente de cristalização e declínio da criatividade daí decorrente.

O interesse por imagens, palavras e imaginação, ferramentas do meu ofício, levou-me a trabalhar com o entrelaçamento entre fotografia e literatura. Corpo, dança (movimento) e fragmentos são temas que me são caros e neles me aprofundo em busca de desdobramentos narrativos.

As fotografias que fazem parte desta exposição integram ensaios de autorretratos. A escolha desse suporte de expressão tem como objetivo experimentar o corpo como ficção na sua relação com o mundo: a fluidez dos contornos do eu, a reverberação desses contornos no espaço, a possibilidade de contato com o outro. Corpo como ‘presença’ capaz de impactar outros corpos e os sentidos; corpo ficcionado que interpela e afeta.

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Fotografar palavras #1661

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“Querido Ausente, espero que te encontres bem. Hoje fui mais cedo para o ensaio, o que me impossibilitou de ver o nosso homem jovem a olhar, furtivamente, o rio. Em contrapartida, estive muito tempo na rua. Sempre gostei de ruas, e não são raras as vezes, que sinto serem elas, as ruas, a observarem-me, e não o contrário. As ruas são uma espécie de entidade que pertence ao ar livre. Nelas, ouve-se de tudo. Listas de compras de supermercado, o preço de pneus, considerações futebolísticas, doenças, para além dos habituais “é a vida!”, “são todos uns ladrões” ou ” amanhã vai chover “. No regresso a casa, ouvi um homem dizer a outro:” São sempre os portugueses que lixam os portugueses. Mais ninguém. “Há coisas curiosas, como, por exemplo, o poder que algumas palavras têm de me transportar para outro lugar, sem qualquer autorização. O comentário sentencioso daquele português levou-me para Kafka. Para a sua história O Médico Rural. E perguntei -me quais são as regras gramaticais – caso existam – que explicam que um ser universal deverá ser como o médico rural que sai, no Inverno, da sua casa, para atender doentes que não querem ser curados mas, unicamente, serem salvos. O médico daquela história é dilacerado pelos camponeses. Não sei como as ruas fazem, querido Ausente, se calhar tapam os ouvidos e os olhos. Ou então, riem-se. Ou talvez se alimentem dos beijos dos outros. Minhas queridas ruas que tanto custaram a conquistar. 
Beijos da tua rapariga simples”
 
Projeto | Paulo Kellerman
Texto: Susana Sá
Fotos: Ana Gilbert