
Celebrar o que virá.
Com Jorge VAz Dias


I wake up and wonder
How many times I have already kissed you.
It is the first thought of the day,
And I dedicate myself to it for a few minutes.
I count kisses.
And you lay by my side.
I could kiss you,
But I do not do it because I prefer to keep thinking
About kissing you.
And this says so much about me.
Poem by Paulo Kellerman

Hoje, no FOTOGRAFAR PALAVRAS # 5559, a parceria no texto é com a Vera Fernandes
O processo de criar para o projeto é sempre prazeroso. Receber o texto anônimo, ler nas entrelinhas o estilo da autora (ou autor). Adivinhar-lhe o gesto da escrita. E deixar a imaginação solta para que as imagens surjam, num primeiro momento, aleatórias. E, lentamente, acompanhá-las a ganhar forma, a pedir materialização. Até que uma (por vezes, mais de uma) se coagule em fotografia. Por fim, a publicação, quando as artistas se encontram na sintonia de suas criações.
Fotografar Palavras, 10 anos de publicações diárias, 10 anos a produzir essa magia, graças ao querido Paulo Kellerman, que tanto entende de encontros bonitos.
…
Fui só mais uma playlist — tocada, guardada e riscada.
Adicionada à tua biblioteca: de prazeres juvenis.
Carentes de autocontrolo.
Indisciplinados, pouco razoáveis.
E no calor do momento — tudo foi eterno.
Até ser só mais uma obra inacabada!
E se tudo, de repente, fosse apenas uma nota (des)afinada?
Abençoada queda — fora de tom.
…
I was just another playlist — played, shelved, and scratched.
Filed into your library: of youthful pleasures.
Starved of self-restraint.
Undisciplined, scarcely reasonable.
And in the heat of the moment — everything was eternal.
Until it was just another unfinished piece!
And what if everything, suddenly, were nothing but an (un)tuned note?
A blessed fall — out of key.
Texto | Text: Vera Fernandes
Fotografia | Photography: Ana Gilbert


Nem sempre a aparente harmonia entre pessoas que vivem juntas significa intimidade.
The seeming harmony between those who share a life doesn’t always mean intimacy.
Text(o): Paulo Kellerman | Portable link

NISES (2026), de Sigrid Haikel e Ana Gilbert


Inauguração: 21.03.26 | Livraria Arquivo
curadoria: Sandrine Cordeiro e Paulo Kellerman
iniciativa: Livraria Arquivo
testemunhas silenciosas
da nossa efemeridade
eternas, elas
em nós
[Leiria, segunda casa. Obrigada]

Alguém anda pela rua a fazer um questionário às pessoas que encontra. Apenas tem uma pergunta: és feliz?
Someone walks along the street conducting a survey among the people they meet. They have only one question: are you happy?
Text(o): Paulo Kellerman

Beijar-te as costas
Com a pele. As horas
São segundos.
O teu suspiro a minha
Respiração. A espera
É o ponto de partida.
És o tempo em suspenso.
[o belo poema de Jorge VAz Dias]

Sinto o sol no corpo. Por vezes é quanto basta: sentir o sol no corpo. Não chega a ser felicidade, mas quase.
I feel the sun on my body. Sometimes it is enough: to feel the sun on my body. It is not happiness, not quite, but almost.
Text(o): Paulo Kellerman | Portable link

O movimento é a forma que o corpo tem de sonhar.
Movement is the body’s way of dreaming.
text(o): Paulo Kellerman | Portable link

Tenho saudades de sonhar. Tenho saudades da leveza. Tenho saudades da banalidade.

Triturei os últimos dias
dispu-los numa linha
e inalei-os como cocaína
A felicidade pode ser endógena
Os dias,
substâncias químicas:
uma droga.
E eu encontrei um bom dealer.
Ana Sofia Elias (Uca, 2024)
[ensaio com a Ana Sofia Elias]

Limitamo-nos a desejar, estamos sempre prisioneiros de um desejo qualquer; e, por vezes, até vamos atrás dele, perseguimo-lo perseverantemente; mas chegamos lá e não é nada daquilo, encontramos apenas uma decepção. Ou até é aquilo que queríamos, que procurávamos; mas, no fundo, é irrelevante. Porque começamos logo a desejar outra coisa qualquer.
***
We limit ourselves to desire; we are always held captive by one desire or another; and sometimes we even go after it, pursuing it relentlessly; but when we reach it , it is nothing like what we imagined, we find only disappointment. Or perhaps it is precisely what we wanted, what we were looking for; yet, deep down, it proves to be irrelevant. Because almost immediately we begin to desire something else.


[dialogue series]

E se fossem os sentimentos a escolherem as pessoas, tal como as pessoas escolhem as casas onde querem viver?
E se as pessoas fossem, afinal, simples casas onde os sentimentos podem habitar?
What if feelings chose people, just as people choose the houses they want to live in?
What if people were, after all, simply houses where feelings could dwell?
Portable Link, projeto com Paulo Kellerman. Um diálogo entre literatura e fotografia, entre imagem e palavra.