
Fugi à memória.

Hoje, na publicação # 5683 do FOTOGRAFAR PALAVRAS, a parceria é com a querida Sandra Francisco
Tu não sabes o que é a dor
Por mais que a cicatriz me dilacere
De cima a baixo
Eu também não
Quis fazer de mim o teu colo
Entrelaçar-me no teu coração
Aninhar-te entre quimeras
E beijar-te os impossíveis
Tão cedo
Tão perto
Tão aqui
Tão fundo
Tu não devias saber o que é a dor
Quero acordar-te devagarinho
Dizer-te que foi só um pesadelo
Levar-te para longe
Ao menos, deixa-me ser eu
A calar-te os gemidos
A varrer-te os dias trágicos
No sal das lágrimas
Quando os sentidos te espancarem
Rasgamo-nos juntos
Retalhos dum só
…..
You do not know what pain is
However deeply the scar tears me open
From top to bottom
Neither do I
I wished to become your shelter
To entwine myself within your heart
To cradle you among chimeras
And kiss your impossibilities
So soon
So close
So here
So deep
You should never have to know what pain is
I want to wake you gently
Tell you it was only a nightmare
Carry you far away
At least let me be the one
To quiet your cries
To sweep away your tragic days
In the salt of tears
When your senses beat you down
We are torn, together
Shreds of one
Texto | Text: Sandra Francisco
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Fotografar palavras, este projeto trabalhosamente simples, criado e coordenado pelo amigo Paulo Kellerman e recriado diariamente por todos nós, faz 10 anos. Há muito o que celebrar!

O tempo continuava suspenso, assim como os meus pensamentos. Uma forma de morte, talvez: nem percepção do tempo nem consciência da realidade. A mente completamente vazia.
…..
Time remained suspended, and so did my thoughts. Perhaps a form of death: no awareness of time, no consciousness of reality. The mind utterly empty.
PELE ADENTRO fala de encontro, aproximação, sedução, realização, afastamento.
Viagem que guia o(a) leitor(a) das coisas do mundo ao centro da intimidade e, depois, de volta a ele, num processo de eterno retorno em que a alma acompanha as formas do corpo e a magnitude da descoberta.
Texto e imagem dialogam, numa dança sinuosa de afetos que atravessam, tensionam e conectam.
Alimento e falta. Acima de tudo, pulsação.
Que se sente na pele.
Fotografias: Ana Gilbert
Poemas: Jorge VAz Dias
Design gráfico do querido Licínio Florêncio
A competência na Impressão a cargo da Arte Ampliada
A delicadeza e o cuidado, exemplar a exemplar, da encadernação artesanal da Eliana Yukawa e Yume Ateliê & Design
edição numerada
encomendas (Brasil e Portugal)

O tempo cai suavemente sobre nós. E por vezes, parece que conseguimos segurá-lo entre os dedos.

Quantos tipos de felicidade existem?

Fugir à solidão é solitário.

33 fotografias do interior do Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens (EPL-J) feitas por esses jovens.
33 textos inspirados nessas fotografias escritos por 33 autoras.
As 33 fotografias que compõem este livro nos tomam pela mão e nos levam a adentrar um outro tempo, um tempo circular feito de cotidiano e sonho, de dor e voo, de ausência e presença, de mundo interno e mundo externo.
Muito obrigada a todas e todos que tornaram possível a materialização deste livro, em especial, ao Paulo Kellerman, pelo convite, à Tânia Silva e à Patrícia Grilo, pela realização.
E, principalmente, aos jovens fotógrafos, por sua sensibilidade e habilidade em nos transportar para o tempo poético das imagens que as palavras jamais conseguirão esgotar.
LEIA AQUI
Coordenação fotográfica:
Tânia Silva
Coordenação literária:
Paulo Kellerman
Coordenação editorial:
Patrícia Grilo
Edição:
EAPN – Rede Europeia Anti-Pobreza
Apoio:
Estabelecimento Prisional de Leiria – Jovens(EPL-J), Centro Protocolar da Justiça, Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais
(fotografia: Paulo Kellerman)



Hoje, no FOTOGRAFAR PALAVRAS # 5585, a minha leitura em três atos do belo poema da Diana Erduíno.
Fotografar palavras, este espaço de arte, criado e coordenado pelo Paulo Kellerman, e que nos permite ser inúmeras ficções de nós, num processo de tradução inesgotável entre palavra-imagem-palavra.
Ela regressa lá.
Muitas vezes.
Todos os dias.
Aproxima-se da beira do poço. Olha-o com os mesmos olhos que o gato olha a sardinha: pretos, gordos, reluzentes, famintos.
Apetece-lhe saltar.
Muitas vezes.
Todos os dias.
Lençóis de alta linhagem para a receber. Brancos. Macios.
Quer sentir.
Muitas vezes.
Todos os dias.
Mas recua sempre, com a certeza de que parece fácil de mais.
Recua muitas vezes. Todos os dias.
Algum dia saltará.
…..
She returns there.
Often.
Every day.
She comes to the edge of the well. She looks at it with the same eyes a cat fixes on a sardine: black, round, gleaming, hungry.
She feels like jumping.
Often.
Every day.
Sheets of a noble kind to receive her. White. Soft.
She wants to feel.
Often.
Every day.
But she always steps back, certain it seems too easy.
She steps back often. Every day.
One day she will jump.
Texto | Text: Diana Erduino
Fotografia | Photography: Ana Gilbert


I wake up and wonder
How many times I have already kissed you.
It is the first thought of the day,
And I dedicate myself to it for a few minutes.
I count kisses.
And you lay by my side.
I could kiss you,
But I do not do it because I prefer to keep thinking
About kissing you.
And this says so much about me.
Poem by Paulo Kellerman

Hoje, no FOTOGRAFAR PALAVRAS # 5559, a parceria no texto é com a Vera Fernandes
O processo de criar para o projeto é sempre prazeroso. Receber o texto anônimo, ler nas entrelinhas o estilo da autora (ou autor). Adivinhar-lhe o gesto da escrita. E deixar a imaginação solta para que as imagens surjam, num primeiro momento, aleatórias. E, lentamente, acompanhá-las a ganhar forma, a pedir materialização. Até que uma (por vezes, mais de uma) se coagule em fotografia. Por fim, a publicação, quando as artistas se encontram na sintonia de suas criações.
Fotografar Palavras, 10 anos de publicações diárias, 10 anos a produzir essa magia, graças ao querido Paulo Kellerman, que tanto entende de encontros bonitos.
…
Fui só mais uma playlist — tocada, guardada e riscada.
Adicionada à tua biblioteca: de prazeres juvenis.
Carentes de autocontrolo.
Indisciplinados, pouco razoáveis.
E no calor do momento — tudo foi eterno.
Até ser só mais uma obra inacabada!
E se tudo, de repente, fosse apenas uma nota (des)afinada?
Abençoada queda — fora de tom.
…
I was just another playlist — played, shelved, and scratched.
Filed into your library: of youthful pleasures.
Starved of self-restraint.
Undisciplined, scarcely reasonable.
And in the heat of the moment — everything was eternal.
Until it was just another unfinished piece!
And what if everything, suddenly, were nothing but an (un)tuned note?
A blessed fall — out of key.
Texto | Text: Vera Fernandes
Fotografia | Photography: Ana Gilbert


Nem sempre a aparente harmonia entre pessoas que vivem juntas significa intimidade.
The seeming harmony between those who share a life doesn’t always mean intimacy.
Text(o): Paulo Kellerman | Portable link

NISES (2026), de Sigrid Haikel e Ana Gilbert


Inauguração: 21.03.26 | Livraria Arquivo
curadoria: Sandrine Cordeiro e Paulo Kellerman
iniciativa: Livraria Arquivo
testemunhas silenciosas
da nossa efemeridade
eternas, elas
em nós
[Leiria, segunda casa. Obrigada]

Alguém anda pela rua a fazer um questionário às pessoas que encontra. Apenas tem uma pergunta: és feliz?
Someone walks along the street conducting a survey among the people they meet. They have only one question: are you happy?
Text(o): Paulo Kellerman

Beijar-te as costas
Com a pele. As horas
São segundos.
O teu suspiro a minha
Respiração. A espera
É o ponto de partida.
És o tempo em suspenso.
[o belo poema de Jorge VAz Dias]