Apresentação do livro Para onde vai o tempo?
Edição: EAPN Portugal | Rede Europeia Anti-Pobreza
Apresentação do livro Para onde vai o tempo?
Edição: EAPN Portugal | Rede Europeia Anti-Pobreza

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“escrevo no teu corpo com as mãos
escrita trêmula, a princípio
firme, depois
inscrevo-me na tua pele
e mais fundo.
memorizo teus poros, percorro geografias,
lentamente.
aquilo que conhecerei de ti me será contado pelos meus dedos
para que possa sonhar contigo.
saberás o sonho.”
…
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto| Maria João Alves


“Time keeps flowing like a river to the sea.”
(The Alan Parsons Project)

“Estamos sempre a morrer, pensei. Sempre.”
Palavras | Paulo Kellerman (Serviços mínimos de felicidade)
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(foto da foto no mundo)

“Talvez continue à espera que chegues. Que venhas: e sorrias.”
Palavras | Paulo Kellerman (Chega de fado)
Relatos e ficções à volta de contextos de vulnerabilidade

“Alice Catarino, Beatriz Passão e Jorge Cardinali abrem-nos janelas para as suas vidas; Manuel Leiria, Nuno Henriques e Jacinto Duro desvelam-nos, com eles, outros recantos dessas casas; Bruno Gaspar, Lisa Teles e Maraia impregnam-nos a imaginação de cor e forma; Elsa Margarida Rodrigues, Mónia Camacho e Paulo Kellerman inundam-nos da luz dos sonhos; Ana Gilbert preenche-nos da matéria que liga as entranhas do espaço e do tempo.
Três cidadãos, três escritores, três ilustradores, três jornalistas e uma investigadora reunidos para dar corpo literário-artístico-jornalístico a uma ideia nascida no Núcleo Distrital de Leiria da EAPN Portugal e acolhida pelo Diário de Leiria, o Jornal de Leiria e o Região de Leiria.
No dia 15 de fevereiro, às 15h, no MiMo – Museu de Imagem e Movimento, em Leiria, vamos partilhar esta obra.”
Quem quiser aparecer, será bem-vindo!

“deve existir um alfabeto ou código para dizer
da camada indefinível que me leva a ti
do espanto
do conjunto em busca da harmonia que não quer chegar a ser
para se manter vontade
uma qualquer mistura dos silêncios em luz entrecortados a bocas
e o corpo em desejo desenhado a mar e céu
vamos para ali
dito assim meio lei meio convite
podia bem ser o era uma vez
das histórias com corações apressados
o murmúrio do grito de guerra em amor
que desperta e incita
vamos
dito assim sem som a fazer caminhos”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Isabel Pires
Foto| Ana Gilbert

O meu corpo tem saudades do teu olhar.
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“é no silêncio que um corpo clama pelo outro.”
(João Anzanello Carrascoza, Caderno de um ausente | Trilogia do adeus)

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“avisto a extensão de negro em que depositas
o teu coração em forma de palavras
e perco as minhas pupilas para o mar:
troco as barcas por barcos
visto os pássaros de asas gigantes
agito as águas
empresto sopros ao vento…
às vezes o ondeado das dobras da seda
negro em filamentos entremeados de luz
não deixa ver a inclinação do eixo que diz das tuas estrelas”
Palavras | Isabel Pires (a permanência da memória dos dias de sal)

“Eu no espelho:
atentas, nós duas,
rostos que excedem nossa imagem,
estendemos a mão, espalmamos os dedos nesse pó
de gelo. Sabemos: quando eu mergulhar daqui,
e do seu lado, ela,
hão de girar ao sopro da voragem
todos os meus sonhos, e os sonhos dela.
Labirinto de espelhos, reflexos de reflexos,
eu e ela continuamos sós.”
Palavras | Lya Luft (Mulher no palco)


“Certos sorrisos existem no desenho do vir a ser.”
Texto | Ana Gilbert
Ilustração | Maraia

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“E a água, como faz para atravessar a ponte?”
Fotografar palavras
Projeto e texto | Paulo Kellerman
Fotos | Ana Gilbert

“Se te pareço ausente, não creias:
hora a hora minha dor agarra-se aos teus braços,
hora a hora meu desejo revolve teus escombros,
e escorrem dos meus olhos mais promessas.
Não acredites nesse breve sono;
não dês valor maior ao meu silêncio;
e se leres recados numa folha branca,
não creias também: é preciso encostar
teus lábios nos meus lábios para ouvir.
Nem acredite se pensas que te falo:
palavras
são meu jeito mais secreto de calar.”
Palavras | Lya Luft (Mulher no palco)


“Agora, no escuro, os objectos iluminam-se por dentro, tornando clara a nossa solidão.”
Palavras | Al Berto (O anjo mudo)

“O vento sopra solidão sobre a pele.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto| Frankie Boy

Percebo-te no espanto desta imensidão ausente. Encanto.

“Agora, está barricado numa dor que serve apenas para lhe lembrar de onde veio.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Mónia Camacho
Foto| Ana Gilbert