“é a isso que chamam solidão, a explosão do silêncio?”
Ecos no coração da terra, romance de Rafael Azevedo (Kotter Editorial, 2021)
“é a isso que chamam solidão, a explosão do silêncio?”
Ecos no coração da terra, romance de Rafael Azevedo (Kotter Editorial, 2021)

“Para que me serviram os sonhos que sonhei?”
Pipocas, conto de Liliana Silva, na Antologia Minimalista

“O sonho é a minha casa.”
Fotografar palavras
Projeto e texto | Paulo Kellerman
Fotos | Ana Gilbert
FOTOGRAFAR PALAVRAS: 5 anos, 3000+ publicações
Dose diária de poesia em imagens e palavras

“e as palavras que ninguém quis
silenciaram a festa do meu corpo”
(Alice Vieira)

“O sonho é a minha casa.”


“O que sente não tem nome.”
Kiss kiss, bang bang, conto de Elsa Margarida Rodrigues, na Antologia Minimalista

“Como se a poesia fosse a linha mais curta entre duas almas.”
(Pedro Machado)

“Talvez seja a carência maior: que nos confirmem existirmos.”
A vinte e quatro minutos da eternidade, conto de Andreia Azevedo Moreira, na Antologia Minimalista

PARATY EM FOCO – Festival Internacional de Fotografia, edição 2021.
É sempre uma honra e uma enorme satisfação ter uma foto minha entre as 30 selecionadas para a mostra de autorretratos, SELFIE EM FOCO.
De 27 a 31 de outubro de 2021 | Paraty, Rio de Janeiro, Brasil

“O céu começava a clarear timidamente, iluminando os oito elementos que se reuniam para florir todas as ruas da aldeia. A tarefa teria de ser cumprida antes do nascer do sol, para garantir boa fortuna a todos os habitantes da terra.”
As flores de maio, conto de Ana Moderno na Antologia Minimalista



“E assim, de repente, apercebeu-se de que não era só o seu coração que estava seco, mas também a sua voz e as suas mãos.
Pelas palavras que não mais foram ditas e as letras que, presas nas suas mãos imóveis, se refugiaram na timidez de quem nada sente.”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Maria João Faísca
Fotos | Ana Gilbert
O evento CONVERSAS LITERÁRIAS: CLARICE LISPECTOR | Água Viva – desdobramentos aconteceu hoje, 01 de outubro de 2021, com a participação de Sigrid Haikel, Maria Lúcia Lorêdo Jorge, Aurea C. Torres e eu.
Conversas Literárias é o núcleo de literatura do Instituto Junguiano do Rio de Janeiro (IJRJ /AJB), e o evento aconteceu no âmbito das CONVERSAS JUNGUIANAS.
A renda do evento será revertida para a Casa das Palmeiras – Nise da Silveira.
O vídeo e o texto abaixo são a minha contribuição para o evento.
Comecei a participar do grupo Conversas Literárias há pouco tempo. Quando entrei, o livro Água Viva, de Clarice Lispector, avançava para o seu final. Porém, ele já reverberava dentro mim: vinha fotografando suas frases, usando, por vezes, a vertente do autorretrato como forma de expressão. Assim, quando surgiu a ideia de apresentarmos os nossos desdobramentos do livro, compreendi que só poderia trazer a vivência da leitura através destas imagens-palavras.
Falar de Água Viva é falar do entrelaçamento entre palavra e imagem, relação essa que me é tão cara como terapeuta e artista. Em um texto que escapa à definição de romance, no sentido de uma história mais estruturada, com personagens e ações mais claramente delimitadas, Clarice dá vazão a um fluxo de consciência de extrema beleza e profundidade. Convida-nos ao mergulho e avisa-nos dos perigos. O perigo das palavras e suas sombras. Da tensão que existe entre as palavras e as imagens que delas emanam. O fascínio exercido por essa zona limítrofe, a superfície da água, que demarca a fronteira entre a vigília e o sono, entre as instâncias da psique (consciência e inconsciente).
E nós aceitamos o convite. Sabedoras do que nos espera. Nunca preparadas. Acompanhamos a personagem/narradora, um eu feminino, que escreve a um tu masculino, um tu que é também cada uma de nós, leitoras. Percorremos trilhas de qualidade aquática, fragmentadas e poéticas, marcadas pelo tempo lento da alternância entre movimento e quietude. Experimentamos, em nós, o assombro do instante-já de que fala a narradora, a vivência de algo que escapa à racionalidade e se manifesta como fluxo. Experienciamos a relação com o espaço que nos circunda. Um espaço que é, ao mesmo tempo, externo e interno. Cheio e vazio. Um espaço que se descortina estranho e ampliado quando vislumbrado na superfície refletora da água ou do espelho. Múltiplos espelhos, múltiplas imagens: de nós e do mundo que habitamos e que nos habita. Instantes-já da relação eu-tu, coagulados como fotografias. Cenas e, com elas, a profundidade das palavras que nos leva ao seu outro lado: à sua sombra, ao seu avesso. À realidade enviesada. Da água morna e convidativa à queimadura dolorosa da água-viva.
Contudo, ela, a personagem (e a própria Clarice, talvez), precisa respirar; a intensidade pode ser demasiadamente cansativa e é preciso repousar. Deste modo, a experiência pura desse fluxo de vida oferece-nos, a cada tanto, uma pausa, um olhar para o que há de mais banal no cotidiano, uma respiração mais longa, um relaxar de músculos que nos prepara para o mergulho seguinte. Para o milagre seguinte. Para o que há “detrás do pensamento”.
A personagem/narradora é pintora e quer escrever como pinta: com o corpo todo. Quer escrever com as palavras que estão justamente aí, atrás do pensamento, como quem fotografa o instante, instante esse que é como o silêncio que está no silêncio das coisas e não pode ser ouvido, a não ser com o corpo inteiro; como uma realidade que se cria a partir da escuridão e do sonho. A partir da imaginação.
É assim que li Água Viva, com o corpo todo. E da imaginação surgiram pinturas. Pinturas feitas com luz. Fotografias. Água, ar, planta, corpo. A alternância entre a sensação de dissolução que o texto, por vezes, suscita e a aventura arriscada de fixar a delicadeza do encontro eu-outro, eu-mundo.
O que vai ser apresentado a seguir é um vídeo feito com estas imagens-palavras; uma tentativa de capturar o incapturável: a respiração que rege a ordem do mundo, do meu mundo. O ritmo da pulsação. A liberdade de vida e morte. O seu mistério. Efemeridade e eternidade em mim.


“Fotografo cada instante. Aprofundo as palavras como se pintasse, mais do que um objeto, a sua sombra.”
Clarice Lispector (Água Viva)
Conversas Junguianas e Conversas Literárias
Instituto Junguiano do Rio de Janeiro
01 de Outubro de 2021 | 14h às 16h

e agora que abri todas as trancas?

Conversa sobre o livro Água Viva de Clarice Lispector
O evento contará com a participação das integrantes do Instituto Junguiano do Rio de Janeiro (IJRJ):
Sigrid Haikel, Maria Lúcia Lorêdo, Áurea Torres e Ana Gilbert
Dia 01 de Outubro de 2021| Sexta-feira, de 14h às 16h.
Valor simbólico de R$ 25,00 que será revertido para Casas das Palmeiras – Nise da Silveira

A vida será sempre sonho.
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Ana Gilbert
Foto | Peter A. Gilbert

“Às vezes tudo à nossa volta precisa de morrer para que possamos viver.”
Elsa Margarida Rodrigues (As horas do fim)
Uma publicação Minimalista

encomendas: minimalista.editora@gmail.com


Tenho os olhos fechados, mas sou capaz de ver (ou imaginar?) as minhas velhas asas, as saliências por onde brotam nas costas. Ainda lembro o misto de espanto e tristeza quando descobri esses pequenos brotos em mim e percebi a condenação.
Excerto do meu conto, O último voo (Selo Off Flip, 2021)

“Não somos o que vestimos mas os farrapos que escondemos…”
Fotografar palavras
Projeto | Paulo Kellerman
Texto | Cristina Vicente
Foto | Ana Gilbert