Para onde vai o tempo?

Paulo Kellerman e Patrícia Grilo

O livro “Para onde vai o tempo? Relatos e ficções à volta de contextos de vulnerabilidade”, foi publicado em 2020 pela EAPN Portugal / Rede Europeia Anti-Pobreza, Núcleo Distrital de Leiria, e conta histórias sobre as histórias que são contadas em primeira pessoa.

Aos relatos pessoais escritos por Alice, Beatriz e Jorge, integrantes do Conselho Local de Cidadãos do Núcleo Distrital de Leiria da (EAPN Portugal), juntaram-se as narrativas construídas por escritores, jornalistas, ilustradores e por mim. Numa espécie de costura teórica, escrevi um ensaio sobre o processo de ‘ficcionar-se’, isto é, de construir narrativas no presente sobre a história pessoal, ou sobre algum recorte específico dessa história.

Publicado em 2025 e apresentado no dia 1 de junho, no m|i|mo, em Leiria, o livro “Para onde vai o tempo? Olhares de diferentes geografias” parte dos relatos originais e traz narrativas fotográficas de 48 fotógrafos de 17 nacionalidades associados ao projeto Fotografar Palavras.

O livro é organizado pela Patrícia Grilo e pelo Paulo Kellerman e editado pela EAPN com o apoio da Câmara Municipal de Leiria.

É uma alegria e um privilégio fazer parte também do segundo livro, agora como fotógrafa, e de ter estado presente no lançamento do livro no m|i|mo, como estive em 2020, logo antes da pandemia que tanto nos mudou a vida.

Além dos autores e de alguns fotógrafos participantes, esteve lá a Companhia Teatral Nem Marias Nem Manéis.

Menos

a vida arranha menos num abraço.

[isto também é sobre Gaza]

Varal fotográfico

Cada vez que venho a Portugal, aproveito ao máximo os encontros com os amigos.
Desta vez, para celebrar os projetos AISHA, com o Paulo Kellerman, e LATITUDES, com a Cristina Vicemte, organizamos, em parceria com esse espaço fantástico que é A Casa da Lídia, um varal / estendal fotográfico com fotografias dos dois projetos. Mais um motivo de encontros e afetos.
Inaugura no sábado, dia 31 de maio, às 16 horas, junto com a apresentação do livro Latitudes e ficará por lá à espera da visita de vocês.
Apareçam.

[flyer: Licínio Florêncio]

Latitudes

Fotografias e textos: Cristina Vicente & Ana Gilbert

LATITUDES é resultado de uma cumplicidade entre mulheres, entre fotografia e literatura, entre norte e sul.
Uma cumplicidade de olhares e afetos que vai além das fronteiras geográficas; aproxima as latitudes e traz a circularidade das estações do ano.

Em costura perfeita das nossas estações, o belo posfácio do amigo Paulo Kellerman.

Design do querido Licínio Florêncio

edição limitada e numerada
[bilingual edition]

No sábado, 31 de maio de 2025, estaremos na Casa da Lídia para conversar sobre LATITUDES. Apareçam!

Somos

“não há pureza, todos somos mestiços, todos somos de raça ‘inferior’, como dizia Rimbaud, salvo que não há raça inferior, superior, maior ou menor, só mistura, divina e borbulhante sopa dos seres, ou melhor, dos ‘sendos’. (…) Onde há pureza, há fascismo.”

Andityas Matos (Contra/políticas da alquimia, 2023)

Círculo

Circle

Se repetir a mesma viagem muitas vezes deixarei de distinguir entre a ida e o regresso?

If I repeat the same journey many times, will I no longer be able to discern the departure from the return?”

Text(o): Paulo Kellerman

Portable link

Aisha

Aisha
Uma pequena caixa contendo memórias de uma menina e seu pai.
Aisha
Uma pequena caixa que poderia ter sido encontrada entre os escombros de um edifício bombardeado durante uma guerra.
Aisha
Um grito mudo diante do horror da guerra.

——-

Aisha
A small box containing memories of a girl and her father.
Aisha
A small box that could have been found among the rubble of a bombed building during a war.
Aisha
A silent cry in the face of the horrors of war.

(Bilingual edition)

23 textos | texts, 23 fotografias | photographs
Paulo Kellerman & Ana Gilbert | Portable link

ilustração flor | flower illustration: Maraia
design: Licinio Florêncio
caixa artesanal | handmade box: Yume Ateliê & Design

Exemplares prontos para cruzar o Atlântico.
Copies ready to cross the Atlantic.

Corpo da imagem

“Meu corpo em face do corpo da imagem, meu corpo ser até chamado por este outro corpo (passado, desaparecido) cuja imagem convoca, ou me faz convocar, a sensação.”

Georges Didi-Huberman (imagens-ocasiões)

Aguardo

Fecho os olhos. E aguardo.
O clique acontece por dentro e o dedo aciona o disparador. 
Não sei o que fotografei.
(nunca sei. iludo-me.)

I close my eyes. And wait.
The click happens within, and my finger presses the shutter button.
I don’t know what I’ve captured.
(I never do. I delude myself.)