O que faltou

“Nasci forte, tenho responsabilidade. Se o conhecimento que detenho é maior e alcanço mais longe, se ocupo lugar que confere poder, tenho de medir as forças que emprego. Isto não é bondade. É o equilíbrio que devo ao Universo. Será reclamado.”

O QUE FALTOU, de Andreia Azevedo Moreira

A nova publicação da Minimalista.

O que faltou

“Havia um homem, na intersecção de duas ruas próximas da nossa morada, que se dedicava ao jardim com fervor de coveiro. Destacava-se o talento sofrível para a jardinagem. Passava horas curvado sobre a terra fofa, com um sachinho pequeno, cor-de-oliveira, abrindo buracos de tamanhos variados no terreno, ao redor da sua moradia antiga. Homem austero, erguia a face encarando o céu, possivelmente indagador do número de horas que teria antes do sol-pôr ou até à chuvada que se anunciava, após o que prosseguia o seu ofício, de aparente inutilidade.”

O QUE FALTOU, de Andreia Azevedo Moreira

A nova publicação da Minimalista.

Presença

“Mas não procures entender-me, faze-me apenas companhia.”

Clarice Lispector (A paixão segundo G.H.)

Viver

“Viver é muito perigoso.”

João Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)

Tudo

“Tudo é e não é.”

João Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas)

Quatro anos da Minimalista

Há quatro anos, durante a pandemia, surgia a nossa editora Minimalista.

Doze escritores, uma ilustradora, dois designers: a Minimalista é feita de talentos e afetos, numa geografia de criação que une Portugal e Brasil.

Quatro anos depois, a 13ª publicação acaba de ser lançada – Liberdade Minimalista.
Romances | contos | antologias | fotografia | infanto-juvenil.

Obrigada a todas e todos que nos acompanham :))

gostamos de livros | lemos livros | escrevemos livros | publicamos livros

minimalista.editora@gmail.com

Sonhando rajadas

O livro A chama de Adrião Blávio (2020), de Joana M. Lopes, é hipnótico em sua beleza poética e cortante. É inesgotável na capacidade de suscitar imagens em mim. A cada leitura, uma torrente de possibilidades imagéticas se apresenta e, eventualmente, sinto vontade de coagular uma delas em fotografia. Como agora. Mesmo sabendo que é apenas uma leitura parcial e imprecisa de algo muito maior.

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Sonhando rajadas

Dissolução e êxtase. Verdade ancestral, antes do pensamento. Pássaros com olhos feitos de vento. Asas sou e nuvens e um bico flamejante atravessando um tecto em absoluta expansão. É o perfume da Tília que se espalha, é o pólen que em ti dança e explode, Lázara, hipnótica brisa na seara. Toco-te em toda parte, pois és em todo o lado. Orgia intocável do tudo. Pulmões como grutas insufladas do teu nome. Vento inaugurando o mundo. Respiro-te, Lázara: hálito quente, palpitação carnívora, eco cardíaco repercutido no ar. Rajada absoluta onde me desagrego.

Momento

Por um breve momento, sentem-se. Não é desejo, nem simpatia, nem compreensão.

É qualquer coisa diferente, como se aquele momento sempre tivesse existido e estivesse ali simplesmente à espera que as suas vidas confluíssem para ele, para depois seguirem de novo o seu caminho.

Excerto de AS HORAS DO FIM, romance de Elsa Margarida Rodrigues

Uma publicação Minimalista

Ecos no coração da terra

Eu pronuncio esta palavra como se não fosse de minha língua. É uma palavra que tem textura, é rugosa, fere, menospreza. Vergonha.

Rafael Azevedo (Ecos no coração da terra, Kotter Editorial, 2021)

Um livro de tirar o fôlego, que provoca imagens, inúmeras imagens. Fragmentos que, aos poucos, nos revelam sua costura e o avesso da costura. Jogos de luz e sombra, fascinantes e hipnóticos. Viciantes e peçonhentos.
Um mergulho na alma humana: almas individuais, alma familiar, alma coletiva. Vida e morte; decadência e libertação.