




“Leva-me pela mão e o vento irá.”
[o belo poema de Jorge VAz Dias]

O Sol quando se põe, desce devagar e sem pressa, mas mais depressa do que quando nasce, a queda é sempre mais veloz.
The Sun, when it sets, descends slowly and without haste, yet swifter than when it rises; the fall is always faster.
Texto | Text: Sara Viscondessa
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
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O nosso querido projeto FOTOGRAFAR PALAVRAS é uma criação do amigo Paulo Kellerman, que edifica diariamente (com muito trabalho e arte) esta moldura onde podemos existir com as nossas obras e as de outra(o)s artistas.
Desde 2016.
Visitem!

Juramento
Hei-de aprender a fazer jardins
dentro dos meus olhos.
Cumprido
Colho as tuas flores de sol
dentro dos meus olhos.
Poemas de Joana M. Lopes, do livro Demolição (Ideia-Fixa, 2023)
Porque a dor, a morte, a ruína, o desespero, a falta também são feitos de beleza.

Melancholy
Voices and memories
linger among leaves
swaying in evening’s breeze
Yet fade as dusk descends
leaving silence in its wake
and a sense of loss
Nothing remains
as it once was
but what follows is fear.
A beautiful poem by Frederick Fullerton

“We kiss in slow motion.”
Anne Carson (Glass, Irony & God, 1995)

Teus olhos em
meu peito pousaram,
um dia.
Não fosse a distância
teu hálito novamente
recenderia,
aqui.
Luiz Ruffato

Agora que já aqui
não estás, agora
que nunca
estiveste,
a saudade nova
entrelaça os dedos
nos dedos
da saudade antiga.
Juntos sob o lençol
de silêncio
imaculado e morno,
tecem o fino,
frágil manto
da memória.
Ana Marques (Poémica, 2016)

se a natureza seca, a aridez é nossa
se a floresta queima, queimamos nós
se o voo cessa, despencamos nós
morremos
lentamente
de vergonha
de tédio
de cansaço
petrificados
em agonia
insones
inertes
despedaçados
pelo horror
convencidos
de que não somos nós


“Nenhum poema é tão doloroso
que não possa ser dito.
Nenhum poema é tão doloroso
que não possa ser escrito.”
Gisela Casimiro (Giz, 2023)

“São tristes os poemas no Inverno mas tu sabes, sem saberes como, levar o meu corpo até à alegria, e até a minha rua se atreve no poema,
a minha rua insensata, rua inútil como palavra minha.”
Filipa Leal

”I said to my soul, be still, and wait without hope
For hope would be hope for the wrong thing; wait without love
For love would be love of the wrong thing; there is yet faith
But the faith and the love and the hope are all in the waiting.”
T.S.Eliot

“Dobrei uma esquina do tempo.
Encontrei-te à minha procura.”
Elsa Margarida Rodrigues (Entre Janelas, (2017)

“Time present and time past
Are both perhaps present in time future
And time future contained in time past.
If all time is eternally present
All time is unredeemable.”
T.S.Eliot

Asleep
she dreams
of a man
not the one
sleeping beside her
but one from her past
Asleep
he dreams
of a woman
not the one
sleeping beside him
but one from his past
How the dreams differ…
Hers more erotic
intensifying gradually
kiss by kiss
stroke for stroke
the climax
Iingers in shudders
His hotter
more desperate
stormier
as pounding surf
on a shingle beach
ends gasping
They speak little
during breakfast
no “How did you sleep?”
their dreams lie
as secrets hidden
in nights past.
Poem by Frederick Fullerton

“todos os dias uma
vez mais alguém inventa
o mundo e de súbito
vivemos”
valter hugo mãe (publicação da mortalidade, 2018)

“Talvez o manancial esteja em mim.
Talvez de minha sombra,
fatais e ilusórios, surjam os dias.“
Jorge Luís Borges (Elogio da sombra, 2001)

“Simples espera
daquilo que não se conhece
e, quando se conhece,
não se sabe o nome.”
Mia Couto [poemas escolhidos, 2016]