
“Nunca tinha pensado que o silêncio de uma casa pudesse ser tão monótono, tão escuro, tão desolador.”

“Nunca tinha pensado que o silêncio de uma casa pudesse ser tão monótono, tão escuro, tão desolador.”

Dizem que à noite o bicho vem
E vem.
Abre sua larga garganta e me expulsa do sono
Faz-me rondar pela noite insone,
palpitar angústia aguda
Encharca a cama com cheiro de morte
E os meus olhos vivos
enxergam finitude
Dizem que à noite o bicho vem
E vem.
Mas
às vezes
apenas se deita ao meu lado
e chora
por ser tão bicho assim.
Palavras: Lorena Richter

Mas quais são as palavras que nunca são ditas?
(Renato Russo)

Você
tem que aprender
a respeitar a vida humana, disse o juiz.
Parecia justo.
Mas o juiz
não sabia que, para muitos,
a vida não é humana.
O prisioneiro retorquiu:
há muito me demiti de ser pessoa.
E proferiu, por fim:
um dia,
a nossa vida será, enfim,
viva e nossa.
Mia Couto [poemas escolhidos]

“Vou colhendo fragmentos de vida e guardo-os numa caixa. A essa caixa chamo alma.”

“… se me tivesses abraçado, se adivinhasses que um abraço era tudo o que desejava. Mas não adivinhaste. Não voltaste a tocar-me.”
Palavras: Paulo Kellerman (Diz-me o teu nome, pergunta-me o meu, Gastar palavras)

“Sinto a solidão na inteireza do corpo. Nas mãos o desamparo lê-se evidente.”

“Não estou perdida, mas parece que não consigo encontrar-me.”


“As minhas personagens aparentam ser naturezas mortas, estáticas, inertes… Todavia, receio que a noite lhes permita ganhar vida e circular por esse mundo fora…”
Paulo Kellerman escreveu o romance Serviços mínimos de felicidade. Escolhi e fotografei 27 excertos. A partir das fotos, o autor escreveu o conto Almas desligadas, que pode ser lido como um capítulo escondido do livro.
Palavras fotogradas, fotografias narradas.
O resultado: um ebook, que pode ser lido e baixado aqui.

“A pedra espera ainda dar flor.”
…
Texto: Raul Brandão (Húmus)

“Passou um minuto ou um século? Sobre o granito salitroso assenta outra camada denegrida, e as horas caem sobre a vila como gotas de água de uma clepsidra.”
…
Texto: Raul Brandão (Húmus)

“Caminhamos pelas ruas tranquilas da minha infância.
O caixão avança devagarinho, atrás a multidão geme silenciosamente. Um silêncio feito de murmúrios e rumores, de chilreares de pássaros invisíveis e da cantoria fantasmagórica dos sinos, de arrastares de pés e estalos de bengala. Há, também, lágrimas que se ouvem. Há tristezas que pairam, que convidam à desistência, à rendição; ou talvez sejam apenas nuvens a passar, apressadas e opressivas.”
…
Texto: Paulo Kellerman (Um relógio a tiquetaquear, Os mundos separados que partilhamos)
Primeiro azul do ano…

“Borboletas


