
Reaching out



“Quando chegaste…
Principiou a alegria das manhãs. Dos sons banais, a composição da mais harmoniosa melodia, que ainda hoje, não me canso de escutar. Na paisagem repetida, a descoberta da beleza, no ínfimo que o olhar conseguia distinguir. Sem ensaios, as palavras num poema. O silêncio a deixar-nos respirar, proferindo o que não precisávamos de dizer. O tempo a esquecer a pressa. A permissão da serenidade existir, na cumplicidade das mãos, que seguravam sem prender…”
[When you arrived…
The morning joy began. From banal sounds, the composition of the most harmonious melody, which even today, I do not get tired of listening. In the repeated landscape, the discovery of beauty, in the smallest which the eye could distinguish. No rehearsals, the words in a poem. The silence letting us breathe, saying what we did not need to say. Time forgetting rush. The permission of serenity to exist, in the complicity of hands, which held without imprisoning…]
Texto | Text: Catarina Vale
Fotografia | Photo: Ana Gilbert
Coordenador do projeto | Project coordinator: Paulo Kellerman

VII
Consegues explicar o amor?
Pergunta ela,
Com um sorriso esperançoso.
Fecho os olhos e abano a cabeça,
Porque há respostas que não podem ser verbalizadas.
Apenas os loucos conseguem explicar o amor,
Porque apenas os loucos compreendem a vida.
Apenas os loucos encontram sentido
No que não tem lógica.
Diz ela,
Com um sorriso decepcionado.
Ou talvez nem chegue a ser um sorriso.
————————
Can you explain love?
She asks,
With a hopeful smile.
I close my eyes and shake my head,
Because there are answers that cannot be verbalized.
Only mad people can explain love,
Because only mad people understand life.
Only mad people find meaning
In what has no logic.
She says,
With a disappointed smile.
Or maybe it is not even a smile.
Paulo Kellerman (E quando acabarem as perguntas?)


Um novo tempo para o Brasil | A new time for Brazil
Votar contra a política de morte de Bolsonaro | Voting against Bolsonaro’s politics of death.

“Aguardo no tempo que se recusa medir. Sem voz, sem gestos, a certeza que nos bastamos apenas por existirmos. E no meu rosto, a luz da ternura do teu olhar…”
[I wait in the time that refuses to be measured. No voice, no gestures, the certainty that we are enough just because we exist. And on my face, the light from the tenderness of your gaze…]
Projeto Fotografar palavras, criado e coordenado por Paulo Kellerman (agora, bilíngue)
Foto minha para o texto da Catarina Vale.

[Subtleties of light]


“…questo canto visivo
è di chi crede…”
[this visual song
belongs to those who believe]
Barrio Gotico (Corde Oblique)

XX
Quando olho,
Vejo o que sinto.
E tu?
Sentes o que vês
Ou apenas olhas?
Como um espelho que se limita a reflectir a luz que recebe.
Paulo Kellerman (E quando acabarem as perguntas? Edição Sem Editora, 2022)

“where are my steps that fill the light?” | The man of wood (Corde Oblique)

Onde a sombra engole a luz.
O mundo se agita em mim.


[projeto com a Pulsar Companhia de Dança]

XIV
Uma árvore
Não saberia o que fazer
Com um espelho.
Paulo Kellerman (E quando acabarem as perguntas? Edição Sem Editora, 2022)

“a nude glimpse of my lone soul“
Words by Anne Carson (Glass, Irony & God)

“Alguns dos mais profundos sonhos são palavras desconhecidas.”
Foto minha para o texto de Cristina Vicente, no Fotografar palavras, esse projeto bonito, criado e coordenado pelo Paulo Kellerman.