Fotografar poemas

Vem lentamente o sono
Premeditando o sonho.
O sonho que filma
O desejo.
O desejo que alimenta
O futuro.
A vida que é o teu fruto
E o mundo ser
A terra onde a árvore
Cresce, sendo esse futuro.
Lentamente nos encontramos
Na natureza de assim sermos.
Basta tornares-te
Para a luz.
Eu estarei no beijo,
Essa brisa que faz
Tilintar os ramos
As folhas e as raízes.
Amaciar também a pele
Do fruto.
Enquanto teço
Este desejo me pergunto:

E não basta isto tudo
Para nos termos
Para sempre?

Jorge Vaz Dias [@livre_no_vento_das_palavras]

histórias

“uma história não vale por si, mas pelo que produz no outro, se desilusão ou encantamento, se muito ou pouco.

é só um jeito de lembrar que o mundo não basta.”

João Anzanello Carrascoza (Conto para uma só voz)

Mixture of memory

As for me I am neither happy nor unhappy; I lie suspended like a hair or a feather in the cloudy mixtures of memory.

Lawrence Durrell (The Alexandria Quartet)

Teu corpo

Desvelar-te o caminho.
Chover em terra árida
E sermos mar
Por vir.
Semear o mundo
Com prazer.
Tomar-lhe o peito
Pulsar
E vir-nos.
Sermos a tempestade
E a quimera.
O leito
E o assunto.
O silêncio
E os beijos
À chuva.
Entranhar-nos
E humedecer
Nas dobras do calor
A que chamo
Teu corpo.

Jorge Vaz Dias