
stillness



dançar é sempre um despir-se




“E te sonhei na imensidão da noite”
Hilda Hilst

Filme de Pele
pele
nosso milagrosamente
multifacetado
manto opaco
abraça-nos com firmeza
como um escudo protetor
da cabeça aos pés
contra uma coreografia
de danos
pele
revela em parte
a jornada do nosso corpo
do nascimento à morte
e o seu abuso
tatuado
com cicatrizes e manchas
gravado com rugas
pele
imagine fotos
antigas e recentes
seguidas
de um vídeo
escaneando
lentamente
os contornos da pele
ao longo do corpo
da cabeça aos pés
uma marca registrada e um lembrete
nada dura para sempre.
Skin Flick
skin
our miraculously
multifaceted
opaque cloak
hugs us firmly
shielding
from head to toe
against a choreography
of damages
skin
reveals in part
our body’s journey
from birth to death
and its abuse
tattooed
with scars and spots
etched with wrinkles
skin
imagine still photos
old and recent
followed
by a video shot
scanning
ever so slowly
skin’s contours
along the body
from head to toe
a hallmark and reminder
nothing endures forever.
Texto | text: Fred Fullerton
Fotografia | Photograph: Ana Gilbert
Fotografar palavras, um projeto do Paulo Kellerman. Dose diária de arte.




Passei como uma
Brisa.
O vislumbre vibrou,
A pele teceu
Prazeres como as vestes
Que no outro
Despimos.
A bela poesia de Jorge Vaz Dias

“O que elas não entendiam é que eu precisava de tudo quanto conseguisse reunir para não me estatelar no nada.”
Andreia Azevedo Moreira (Augustine e os maus sentimentos)

Quando sopra o vento de Iansã…

que venham tempos criativos e floridos.


Escrever-te um poema pela linha do pescoço abaixo. Acertar pelo ângulo a 90º do teu ombro. Fazer latitude e viajar 100 milhas submarinas. Seres confins do universo e o leito do mar.
Tudo a partir da pele.
[a beleza da liberdade do vento das palavras. Poema de Jorge Vaz Dias]



Inspired by my photo The wanderings of light, Fred Fullerton wrote this beautiful poem, translated by me.
Meanderings of light
Light is protean
often fickle
as it wanders
exposing or hiding
playfully dancing
a ballet of motes
on rays of sunshine
among shadows
its beams bend
or refract
as through a prism
to project colors
on all illumined
seen or not
light in a person’s eyes
reflect their color
penetrating
like an x-ray
secrets of souls
from birth to death
…and then?
Meandros da luz
A luz é proteana
muitas vezes inconstante
enquanto vagueia
expondo ou escondendo
um balé de partículas
dançando alegramente
nos raios de sol
entre sombras
seus feixes dobram
ou refratam
como através de um prisma
para projetar cores
em todos os iluminados
vistos ou não
a luz nos olhos de uma pessoa
reflete sua cor
penetrando
como um raio-x
segredos de almas
desde o nascimento até a morte
… e depois?
Frederick Fullerton


the wanderings of light

“Talvez um dia percebas: é na aparente fragilidade que revelo a minha força.”

Before the mirror
she regards her face
as if for the first time
Wrinkles and lines
betray her age and
she fears her gaze
Betrays her soul
and inner thoughts
revealing too much
Reminders of loves
both joys and torments
pre- and post-betrayals
She sees and feels
the burden of years
plagued by regret and guilt
Yet accepts the truth
it’s too late to dwell
in yesterday’s debris
She smiles then turns
walking away
to embrace the future.
Frederick Fullerton 2023