Mas quase

But almost

Sinto o sol no corpo. Por vezes é quanto basta: sentir o sol no corpo. Não chega a ser felicidade, mas quase.

I feel the sun on my body. Sometimes it is enough: to feel the sun on my body. It is not happiness, not quite, but almost.

Text(o): Paulo Kellerman | Portable link

procuro-te

procuro-te nas sombras
desenho-te de olhos fechados
sinto a brisa que me envolve
quase como um abraço.

Andreia Peixoto (Inquietação)

O meu nome

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Mia Couto [poemas escolhidos]

Carrousel

Carousel

Limitamo-nos a desejar, estamos sempre prisioneiros de um desejo qualquer; e, por vezes, até vamos atrás dele, perseguimo-lo perseverantemente; mas chegamos lá e não é nada daquilo, encontramos apenas uma decepção. Ou até é aquilo que queríamos, que procurávamos; mas, no fundo, é irrelevante. Porque começamos logo a desejar outra coisa qualquer.

***

We limit ourselves to desire; we are always held captive by one desire or another; and sometimes we even go after it, pursuing it relentlessly; but when we reach it , it is nothing like what we imagined, we find only disappointment. Or perhaps it is precisely what we wanted, what we were looking for; yet, deep down, it proves to be irrelevant. Because almost immediately we begin to desire something else.

Paulo Kellerman

Portable link

Na noturna claridade
me esqueci
que nunca havias nascido.

Mia Couto [poemas escolhidos]

FOTOGRAFAR PALAVRAS # 5452

Hoje, na publicação # 5452 do FOTOGRAFAR PALAVRAS, a parceria no texto é com a Fabiana Fraga.

A sombra falava baixo.
Ela escutava.

Entre escolher e decidir,
silenciosa.

O tempo, não.

The shadow spoke softly.
She listened.

Between choosing and deciding,
silent.

Time did not.

Texto | Text: Fabiana Fraga
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

Fotografar palavras, espaço de encontro entre imagem e palavra, entre pessoas. Projeto coletivo imaginado e coordenado pelo querido Paulo Kellerman. Sustentado por tod@s nós.
Publicações diárias, desde 2016.