
Fotografia analógica | dupla exposição
Com Frankie Boy
Ensaio completo aqui




Quando tudo der errado, a gente pode sonhar.
Ailton Krenak



procuro-te nas sombras
desenho-te de olhos fechados
sinto a brisa que me envolve
quase como um abraço.
Andreia Peixoto (Inquietação)

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça
Mia Couto [poemas escolhidos]

Limitamo-nos a desejar, estamos sempre prisioneiros de um desejo qualquer; e, por vezes, até vamos atrás dele, perseguimo-lo perseverantemente; mas chegamos lá e não é nada daquilo, encontramos apenas uma decepção. Ou até é aquilo que queríamos, que procurávamos; mas, no fundo, é irrelevante. Porque começamos logo a desejar outra coisa qualquer.
***
We limit ourselves to desire; we are always held captive by one desire or another; and sometimes we even go after it, pursuing it relentlessly; but when we reach it , it is nothing like what we imagined, we find only disappointment. Or perhaps it is precisely what we wanted, what we were looking for; yet, deep down, it proves to be irrelevant. Because almost immediately we begin to desire something else.


Eu não sabia que o silêncio era uma espécie de paz.
Letrux (Brincadeiras à parte)

Na noturna claridade
me esqueci
que nunca havias nascido.
Mia Couto [poemas escolhidos]


Hoje, na publicação # 5452 do FOTOGRAFAR PALAVRAS, a parceria no texto é com a Fabiana Fraga.
A sombra falava baixo.
Ela escutava.
Entre escolher e decidir,
silenciosa.
O tempo, não.
…
The shadow spoke softly.
She listened.
Between choosing and deciding,
silent.
Time did not.
Texto | Text: Fabiana Fraga
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Fotografar palavras, espaço de encontro entre imagem e palavra, entre pessoas. Projeto coletivo imaginado e coordenado pelo querido Paulo Kellerman. Sustentado por tod@s nós.
Publicações diárias, desde 2016.

Não ter morada
habitar
como um beijo
entre os lábios
fingir-se ausente
e suspirar
(o meu corpo
não se reconhece na espera)
percorrer com um só gesto
o teu corpo
e beber toda a ternura
para refazer
o rosto em que desapareces
o abraço em que desobedeces
Mia Couto [poemas escolhidos]

em caso de dúvida, dançar. sempre.
[when in doubt, dance. always.]

Pina Bausch

Não será possível sobreviver sem contar nossa própria história de outro modo. Sem sonhar de outro modo.
Paul B. Preciado (Dysphoria Mundi)

O primeiro dever de uma mulher escritora é matar o anjo do lar.
Virgínia Woolf


[dialogue series]