
“Ter nascido significa isto: não ser puro, não ser si mesmo, ter em si alguma coisa que vem de outro lugar, alguma coisa de estranho que nos leva a nos tornarmos a cada vez estrangeiros a nós mesmos.”
Emanuele Coccia (Metamorfoses, 2022)

“Ter nascido significa isto: não ser puro, não ser si mesmo, ter em si alguma coisa que vem de outro lugar, alguma coisa de estranho que nos leva a nos tornarmos a cada vez estrangeiros a nós mesmos.”
Emanuele Coccia (Metamorfoses, 2022)

Clarificação
O que farias se o teu filho estivesse a morrer de fome?
texto | Paulo Kellerman
fotografia | Ana Gilbert

Dia caindo em horas mornas; a saudade, provocante, desenha tempo com luz, aproximando-se em intervalos sussurrados:
– Contas-me os teus segredos?
…..
The day falling into lukewarm hours; longing, provocative, drawing time with light, approaching at whispered intervals:
– Will you tell me your secrets?
Text(o) | Cristina Vicente
in LATITUDES, 2025
Ana Gilbert & Cristina Vicente

com Sigrid Haikel


Aisha tem muitas vidas. Aisha permanece.
“Pai, achas que amanhã já há futuro?”
[do livro com Paulo Kellerman]



com Paulo Kellerman | Portable link
Almas Desligadas (2018 | 2019)
Geografias Corporais (2022)
And when the questions are over? REIMAGINED (2024)
Aisha (2025)


o que fazer com as linhas de fuga deleuzianas quando não há fuga possível?
[isto também é sobre Gaza]


medo. a dominação que nos separa.
[ensaio com Ana Sofia Elias]

Texto do Jorge VAz Dias sobre AISHA, no Jornal de Leiria.
Obrigada, poeta, por mais esta vida de Aisha.
AISHA, colaboração com Paulo Kellerman | Portable Link



Elas, mulheres algodoeiras do mar
Estendidas por uma vasta praia
-com bosques dourados, falésias amaciantes, templos, rios, lagos e estradas sem cavalos voadores ou torangeiras, onde palácios vermelhos, jardins suspensos e torres de cúpulas brancas espelhavam as nossas malváceas damascenas –
Nessa praia, estas palavras.
De musselina tridente
têm-nos presas a nenhum lírio fixo.
Pequenas mordidelas atlântidas
de plâncton saciante
que não ficaram presas ao anzol de frésia.
Deitadas, agachadas, hirtas
como a renda que ainda não madrugou na água
Mulheres algodoeiras do mar
colhem palavras abracadabrantes
O poema acontece na costura a linha de peixe
onde penduram pedras preciosas, quase invisíveis.
E o som é de figo maduro tragado a meia romã
Porque é na Pangeia da manhã
que se provam as despedidas e os orvalhos.
*****
Them, cotton-harvester women of the sea
Spread across a vast shore
—with golden woods, softening cliffs, temples, rivers, lakes,
and roads untraveled by flying horses or grapefruit trees, where crimson palaces, hanging gardens, and white-domed towers
mirrored our damascene mallows—
On that shore, these words.
Of trident muslin,
they keep us bound to no fixed lily.
Small Atlantidean nibbles
of satiating plankton
never caught on a freesia fishhook.
Reclining, crouched, upright—
like lace not yet awakened in water—
Cotton-harvester women of the sea
gather abracadabra-like words.
The poem takes shape along the fishline-made seam
where they hang near-invisible gems.
And the sound is that of ripe fig
swallowed with half a pomegranate—
For it is in each morning’s Pangaea
that farewells and dewdrops are tasted.
Texto | Text: Ana Sofia Elias (com interferência de | with interference by Ana Gilbert)
Fotografia | Photography: Ana Gilbert (com interferência de | with interference by Ana Sofia Elias)
FOTOGRAFAR PALAVRAS, projeto desenhado pelo Paulo Kellerman, é casa para imaginar e criar.
Diariamente, desde 2016.

















Exposição VARAL FOTOGRÁFICO, com fotografias dos projetos AISHA (com Paulo Kellerman) e LATITUDES (com Cristina Vicente). Na Casa da Lídia, que tem a esplanada mais verde da cidade | Leiria

demora-se na inspiração do tempo
desdobrar-se-á na expiração

com Ana Sofia Elias

Neste momento, há pouco o que celebrar no mundo. São tempos sombrios que lançam múltiplos reflexos distorcidos e angustiantes.
Contudo, a vida pequena, cotidiana, continua e é preciso que seja assim. Pequenas joias aindas são lapidadas nas relações humanas. Rastros de luz ainda penetram pelas fissuras e emocionam ao revelarem a beleza que persiste.
Já são oito anos deste espaço do blog. Por aqui passaram várias vidas, vários olhares, (anônimos ou nem tanto), várias de mim.
O meu espanto é sempre enorme ao constatar que ainda há pessoas que param o tempo e se dispõem a olhar, ver e sentir. E isso faz valer a pena.
O meu obrigada e o meu sorriso.
“O que vemos, o que nos olha.”
Georges Didi-Huberman

At this moment, there is little to celebrate in the world. These are dark times, casting multiple distorted and distressing reflections.
And yet, ordinary, everyday life goes on, and it must. Small gems are still being polished in human relationships. Traces of light still slip through the cracks and move us, revealing the beauty that endures.
It has now been eight years since this blog space began. Many lives have passed through here, many gazes (anonymous or not so anonymous), many versions of myself.
I’m always deeply moved to realize that there are still people who pause time and choose to look, to see, to feel. And that makes it all worthwhile.
My thanks and my smile.
“What we see, what looks back at us.”
Georges Didi-Huberman


O André Pereira escreve retratos à máquina.
Fotografa com palavras.
Ele esteve no Festival A Porta e eu tive a sorte de ser retratada por ele.
Um retrato de aguçada sensibilidade.
Depois, escrevi seu retrato com luz.
Obrigada por esse momento, André.
Obrigada, ao Festival A Porta, pela iniciativa.






Acompanho o trabalho da Zélia Évora há alguns anos. Tenho o seu livro de poemas e fotos e chegamos a brincar juntas quando ela inventou um caderno viajante.
Na segunda-feira, fui visitá-la e foi um enorme prazer conhecer seu espaço, tão inspirador quanto ela. Novamente, brincamos juntas. Desta vez, entre conversas, sorrisos, fotografias e com a materialidade dos abraços.
Obrigada!







Ontem foi bonito. Obrigada a quem veio à Casa da Lídia, em Leiria, e a quem esteve presente em intenção.
Apresentação de LATITUDES, com a Cristina Vicente e inauguração da exposição Varal / Estendal Fotográfico com fotos dos projetos AISHA, com o Paulo Kellerman, e LATITUDES.
fotos: Silvia Bernardino