Rótulo

Alguém anda pela rua a fazer um questionário às pessoas que encontra. Apenas tem uma pergunta: és feliz?

Someone walks along the street conducting a survey among the people they meet. They have only one question: are you happy?

Text(o): Paulo Kellerman

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Beijar-te

Beijar-te as costas
Com a pele. As horas
São segundos.
O teu suspiro a minha
Respiração. A espera
É o ponto de partida.
És o tempo em suspenso.

[o belo poema de Jorge VAz Dias]

Mas quase

But almost

Sinto o sol no corpo. Por vezes é quanto basta: sentir o sol no corpo. Não chega a ser felicidade, mas quase.

I feel the sun on my body. Sometimes it is enough: to feel the sun on my body. It is not happiness, not quite, but almost.

Text(o): Paulo Kellerman | Portable link

Contrabandista

Triturei os últimos dias
dispu-los numa linha
e inalei-os como cocaína

A felicidade pode ser endógena

Os dias,
substâncias químicas:
uma droga.

E eu encontrei um bom dealer.

Ana Sofia Elias (Uca, 2024)

[ensaio com a Ana Sofia Elias]

Carrousel

Carousel

Limitamo-nos a desejar, estamos sempre prisioneiros de um desejo qualquer; e, por vezes, até vamos atrás dele, perseguimo-lo perseverantemente; mas chegamos lá e não é nada daquilo, encontramos apenas uma decepção. Ou até é aquilo que queríamos, que procurávamos; mas, no fundo, é irrelevante. Porque começamos logo a desejar outra coisa qualquer.

***

We limit ourselves to desire; we are always held captive by one desire or another; and sometimes we even go after it, pursuing it relentlessly; but when we reach it , it is nothing like what we imagined, we find only disappointment. Or perhaps it is precisely what we wanted, what we were looking for; yet, deep down, it proves to be irrelevant. Because almost immediately we begin to desire something else.

Paulo Kellerman

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Pessoas como casas

People as houses

E se fossem os sentimentos a escolherem as pessoas, tal como as pessoas escolhem as casas onde querem viver?
E se as pessoas fossem, afinal, simples casas onde os sentimentos podem habitar?

What if feelings chose people, just as people choose the houses they want to live in?
What if people were, after all, simply houses where feelings could dwell?

Paulo Kellerman

Portable Link, projeto com Paulo Kellerman. Um diálogo entre literatura e fotografia, entre imagem e palavra.

Caminha

Caminha na minha direcção, mas não
me vê; agita a mão, mexe os dedos como
se tentasse agarrar o ar. Apesar do seu
comportamento peculiar, a expressão é
pacífica, a postura é tranquila.

Pergunto: Tentas pegar o ar com a mão?

Sorri. Responde: Não, tento agarrar o
amor.

Passa por mim e afasta-se, conduzido
pelo seu sorriso; e assim desapareço da
sua vida. Nem memória serei.

Vejo como se afasta, vejo como
desaparece; e enquanto vejo, pergunto:
será que já não existe amor em mim?

***

She walks in my direction, but does not see me; she agitates her hand, moves her fingers as if trying to grab the air. In spite of her peculiar behaviour, her expression is pacific, her posture is calm.

I ask: Are you trying to catch the air with your hand?

She smiles. And answers me back: No, I am trying to grab love.

She passes by and walks away, lead by her smile; and then I disappear from her life. I will not be even a memory.

I see how she walks away, I see how she disappears; and as I watch her, I ask myself: Is there no longer love in me?

photographs by Ana Gilbert
text by Paulo Kellerman

[in Geografias Corporais, Alter Edições, 2022]

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Um lugar de passagem

UM LUGAR DE PASSAGEM, projeto com Frankie Boy (2024), agora em formato digital.

uma câmera
um rolo de filme
dois fotógrafos

Frankie Boy fotografou Ana Gilbert
Ana Gilbert fotografou Frankie Boy

[edição bilíngue]

A PLACE OF PASSAGE, a project with Frankie Boy (2024), now in digital format.

a camera
a roll of film
two photographers

Frankie Boy photographed Ana Gilbert
Ana Gilbert photographed Frankie Boy

[bilingual edition]