O que faltou

“Nasci forte, tenho responsabilidade. Se o conhecimento que detenho é maior e alcanço mais longe, se ocupo lugar que confere poder, tenho de medir as forças que emprego. Isto não é bondade. É o equilíbrio que devo ao Universo. Será reclamado.”

O QUE FALTOU, de Andreia Azevedo Moreira

A nova publicação da Minimalista.

O que faltou

“Havia um homem, na intersecção de duas ruas próximas da nossa morada, que se dedicava ao jardim com fervor de coveiro. Destacava-se o talento sofrível para a jardinagem. Passava horas curvado sobre a terra fofa, com um sachinho pequeno, cor-de-oliveira, abrindo buracos de tamanhos variados no terreno, ao redor da sua moradia antiga. Homem austero, erguia a face encarando o céu, possivelmente indagador do número de horas que teria antes do sol-pôr ou até à chuvada que se anunciava, após o que prosseguia o seu ofício, de aparente inutilidade.”

O QUE FALTOU, de Andreia Azevedo Moreira

A nova publicação da Minimalista.

Fotografar Palavras # 4737

A parceria de hoje no FOTOGRAFAR PALAVRAS é com a querida Andreia Azevedo Moreira.

Entre o que de especial me acontece e acreditar que o sou, habita a subtileza de um desacerto incurável.

Between what special happens to me and believing that I am, lies the subtlety of an incurable mismatch.

Texto | Text: Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photography: Ana Gilbert

Fotografar Palavras, um projeto bonito criado pelo Paulo Kellerman em 2016. Dose diária de arte.

331 escritores e fotógrafos
35 países
4700 publicações +
Em breve, nova exposição em Leiria, Portugal.

[a beautiful project created by Paulo Kellerman in 2016. Daily dose of art.

331 writers and photographers
35 countries
4700+ publications
Coming soon, new exhibition in Leiria, Portugal.

Augustine e os maus sentimentos

“O que elas não entendiam é que eu precisava de tudo quanto conseguisse reunir para não me estatelar no nada.”

Andreia Azevedo Moreira (Augustine e os maus sentimentos)

Fotografar palavras # 4183

Vou à janela nas noites escuras, ouço o vento. Espero. Um mês é um sopro. Anos são pó nos desígnios da missão que tracei.  

I go to the window on dark nights, listen to the wind. I wait. A month is a breath. Years are dust in the paths of the mission I have traced.

Fotografar palavras, projeto do Paulo Kellerman e de todos nós.

Texto | Text: Andreia Azevedo Moreira
Fotografia | Photograph: Ana Gilbert

Opinião

A respiração do tempo, de Ana Gilbert, Editora Minimalista, 2022, já se encontra à venda. É a mais recente publicação da nossa editora informal. Degustei-o de 6 a 18 de Junho. É, antes de se entrar no que nos conta, um objecto muito belo em que se nota a devoção da Ana ao criá-lo. Das ilustrações da Maraia que nos comunicam visualmente ao seu modo ímpar a essência do que as sucede, às epígrafes que também antecedem cada capítulo, chegando enfim à linguagem cuidada da Ana Gilbert. Confluem no volume que antes de ser lido é já um deleite. Depois entramos nas narrativas: breves, fortes, certeiras, apontando aos desacertos e aos enjeitados da vida. Aqueles que, por mais que se esforcem, dia nenhum serão vencedores. É preciso preparar o fôlego para as várias vezes em que nos quedamos em apneia pela violência lida. Pelo meio: erotismo. Sedução. Vontade. Dardos disparados à atenção dos leitores, incomodando esta ou aquela dor já nossa. Há neste livro muitos tempos, muitas respirações, realidades, histórias que anunciam outras. Caberá a quem leia levar a imaginação além. À Ana, continuar a escrever para que a possamos ler mais.

Andreia Azevedo Moreira (texto e imagens)

As paredes em volta

“Tinha os próprios abismos para transpor.”

Palavras | Andreia Azevedo Moreira (As paredes em volta)

A cada leitura do livro da Andreia Azevedo Moreira, vou descobrindo camadas, retirando véus de desconforto para encontrar a crueza de realidades psíquicas traumáticas e a busca por paredes (concretas ou imaginárias) que possam conter a dor. A escrita da Andreia explicita aquilo que não pode ser pronunciado em voz alta.