
Me queimo em sonhos, tocando estrelas.
Hilda Hilst (De amor tenho vivido)

Me queimo em sonhos, tocando estrelas.
Hilda Hilst (De amor tenho vivido)

Nossas pessoas eternas têm de significar alegria.
Valter Hugo Mãe (Educação da tristeza)

“Sinto o isolamento na inteireza do corpo.”
O QUE FALTOU, de Andreia Azevedo Moreira
A nova publicação da Minimalista.

Tenho saudades de sonhar. Tenho saudades da leveza. Tenho saudades da banalidade.


procuro-te nas sombras
desenho-te de olhos fechados
sinto a brisa que me envolve
quase como um abraço.
Andreia Peixoto (Inquietação)

Triturei os últimos dias
dispu-los numa linha
e inalei-os como cocaína
A felicidade pode ser endógena
Os dias,
substâncias químicas:
uma droga.
E eu encontrei um bom dealer.
Ana Sofia Elias (Uca, 2024)
[ensaio com a Ana Sofia Elias]

“Um homem organizado conduz o dia como quem desenha, a duas dimensões, um plano para uma casa.
Espaço nenhum para o improviso.
Inúmeras paralelas, ângulos rectos e quadriláteros, geometria previsível.”
O QUE FALTOU, de Andreia Azevedo Moreira, a nova publicação da Minimalista Editora
Em breve!

o escuro não se aligeira sob o alçapão
a casa é um alvo o meu predador entra
nunca diz
Valter Hugo Mãe (publicação da mortalidade)

Sigrid & Laura

Sigrid & Laura

A alma é húmida.
Al Berto (O anjo mudo)

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça
Mia Couto [poemas escolhidos]

Limitamo-nos a desejar, estamos sempre prisioneiros de um desejo qualquer; e, por vezes, até vamos atrás dele, perseguimo-lo perseverantemente; mas chegamos lá e não é nada daquilo, encontramos apenas uma decepção. Ou até é aquilo que queríamos, que procurávamos; mas, no fundo, é irrelevante. Porque começamos logo a desejar outra coisa qualquer.
***
We limit ourselves to desire; we are always held captive by one desire or another; and sometimes we even go after it, pursuing it relentlessly; but when we reach it , it is nothing like what we imagined, we find only disappointment. Or perhaps it is precisely what we wanted, what we were looking for; yet, deep down, it proves to be irrelevant. Because almost immediately we begin to desire something else.


Eu não sabia que o silêncio era uma espécie de paz.
Letrux (Brincadeiras à parte)

Na noturna claridade
me esqueci
que nunca havias nascido.
Mia Couto [poemas escolhidos]

Project by Paulo Kellerman.
Photograph by Eva Desmaris
A collective space for ART. Daily publications since 2016.


Hoje, na publicação # 5452 do FOTOGRAFAR PALAVRAS, a parceria no texto é com a Fabiana Fraga.
A sombra falava baixo.
Ela escutava.
Entre escolher e decidir,
silenciosa.
O tempo, não.
…
The shadow spoke softly.
She listened.
Between choosing and deciding,
silent.
Time did not.
Texto | Text: Fabiana Fraga
Fotografia | Photography: Ana Gilbert
Fotografar palavras, espaço de encontro entre imagem e palavra, entre pessoas. Projeto coletivo imaginado e coordenado pelo querido Paulo Kellerman. Sustentado por tod@s nós.
Publicações diárias, desde 2016.

Não ter morada
habitar
como um beijo
entre os lábios
fingir-se ausente
e suspirar
(o meu corpo
não se reconhece na espera)
percorrer com um só gesto
o teu corpo
e beber toda a ternura
para refazer
o rosto em que desapareces
o abraço em que desobedeces
Mia Couto [poemas escolhidos]