circuito

Texto | Ana Gilbert

ela menina, eu mulher; filme em retrocesso. ela de uma nacionalidade, eu de outra; lado oposto do mundo. aqui, agora, a meio caminho dos nossos destinos; bagagem, raio x, imigração. ela no colo da mãe, tão mulher, eu sobre meus próprios pés num caminhar apressado e incerto, tão menina; à distância de um toque. o olhar marcado por pestanas escuras e longas; abissal. o frio visceral do espanto, o dela, o meu; imagens especulares. percebes? e a transparência dos corpos por detrás do espelho. fresta que se abre por onde passeiam presságios, desígnios, perguntas. vejo-me, estrangeira de mim. nenhum sorriso, apenas eletricidade; corrente contínua em circuito fechado. as duas em suspensão, no lugar do não-lugar, em travessia. azul.

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